LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

  • Fontes Franciscanas
  • Fontes Biográficas
  • São Boaventura
  • Legenda Maior

TEXTO ORIGINAL

Legenda Maior - VI,5

5 
1 Dixit aliquando socio suo: ”Non mihi videor frater Minor, nisi fuero in statu, quem tibi descripsero. 
2 Ecce, praelatus exsistens fratrum, vado ad capitulum, praedico et commoneo fratres, et in fine dicitur contra me: Non convenis nobis, quia illitteratus es, elinguis, idiota et (cfr. Act 4,13) simplex; 
3 tandem eicior cum opprobrio, vilipensus ab omnibus. 
4 Dico tibi, nisi eodem vultu, eadem mentis laetitia et eodem sanctitatis proposito haec verba audiero, frater Minor nequaquam sum”. 
5 Et addebat: ”In praelatione casus, in laude praecipitium, in humilitate subditi animae lucrum est. 
6 Cur ergo periculis plus quam lucris attendimus, cum acceperimus tempus ad lucrum?”. 
7 Hac igitur de causa humilitatis forma Franciscus fratres suos voluit vocari Minores, et praelatos sui Ordinis dici ministros, ut et verbis uteretur Evangelii, quod observare promiserat, et ex ipso nomine discerent discipuli eius, quod ad discendam humilitatem ad scholas humilis Christi venissent. 
8 Magister siquidem humilitatis Christus Iesus, ut informares discipulos ad humilitatem perfectam, dixit: Quicumque voluerit inter vos maior fieri, sit vester minister, et quicumque voluerit inter vos primus esse, erit vester servus (Mat 20,26-27). 
9 Cum autem requireret ab eo dominus Ostiensis, Ordinis Minorum Fratrum protector et promotor praecipuus, qui postmodum, iuxta quod idem vir sanctus praedixerat, ad summi pontificatus sublimatus honorem, Gregorius nonus est dictus, utrum sibi placeret, quod fratres sui promoverentur ad ecclesiasticas dignitates, respondiy: ”Domine, Minores ideo vocati sunt fratres mei, ut maiores fieri non praesumant. 
10 Si vultis”, ait, ”ut fructum faciant in Ecclesia Dei, tenete illos et conservate in statu vocationis eorum, et ad praelationes ecclesiasticas nullatenus ascendere permittatis”.

TEXTO TRADUZIDO

Legenda Maior - VI,5

5 
1 Disse uma vez a seu companheiro: “Não acho que sou um frade menor se não estiver no estado que vou te descrever: 
2 Eis que sou prelado dos frades, vou ao capítulo, prego e admoesto os frades, e no fim dizem contra mim: Não és conveniente para nós, porque és iletrado, não sabes falar, idiota e simples. 
3 Afinal sou posto para fora com opróbrio, desprezado por todos. 
4 Eu te digo que, se não ouvir essas palavras com a mesma cara, com a mesma alegria e com o mesmo propósito de santidade, não sou absolutamente frade menor”. 
5 E acrescentava: “Na prelatura há uma queda; no louvor, um precipício, na humildade do súdito, lucro da alma. 
6 Então por que vamos dar mais importância aos perigos que às vantagens se o tempo nos foi dado para ser aproveitado?”. 
7 Foi por essa razão que Francisco, exemplo de humildade, quis que seus frades se chamassem menores, e que os prelados de sua Ordem fossem ministros, também para usar as palavras do Evangelho, que prometera observar, e pelo próprio nome aprendessem os seus discípulos que estavam entrando na escola do humilde Cristo para aprender a humildade. 
8 Na verdade, o mestre da humildade, Cristo Jesus, para formar os discípulos na perfeita humildade, disse:Quem, entre vós, quiser ser o maior, seja o vosso ministro; e quem entre vós quiser ser o primeiro, seja o vosso servo. (Mt 20,26-27). 
9 O senhor ostiense, protetor e principal promotor da Ordem dos Frades Menores, que, mais tarde, de acordo com a predição do santo, foi sublimado à honra do sumo pontificado, com o nome de Gregório IX, perguntou-lhe um dia se estaria de acordo em que frades seus fossem promovidos às dignidades eclesiásticas, e ele respondeu: “Senhor, meus frades são chamados de menores para não presumirem ser maiores. 
10 Se queres que dêem fruto na Igreja de Deus, mantende-os e conservai-os no estado de sua vocação, e não permitais absolutamente que sejam promovidos às prelaturas eclesiásticas”.