LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Legenda Maior - VI,11

    11 
    1 Abhorrebat nempe vir sanctus superbiam, omnium malorum originem, et inobedientiam, ipsius pessimam prolem, sed non minus humilitatem poenitentiae acceptabat. 
    2 Accidit semel, ut eidem praesentaretur quidam frater, qui contra legem obedientiae aliquid fecerat, disciplina iustitiae corrigendus. 
    3 Videns autem vir Dei fratrem illum per signa evidentia veraciter esse compunctum, ad indulgendum ei amore fuit humilitatis inductus. 
    4 Ne tamen facilitas veniae incentivum esset aliis delinquendi, iussit, ablatum Fratri caputium in medium flammarum proici, ut omnes adverterent, quanta qualique vindicta offensa sit inobedientiae percellenda.
    5 Cumque per moram caputium fuisset in medio ignis, praecepit, ipsum flammis detrahi reddique fratri humiliter poenitenti. 
    6 Mirabile dictu! Extrahitur caputium de medio flammarum, nullum habens adustionis vestigium. 
    7 Sicque factum est, ut hoc uno Deus miraculo et sancti viri virtutem et humilitatem poenitentiae commendaret.
    8 Digne itaque sectanda est Francisci humilitas, quae tam miram in terris etiam dignitatem obtinuit, ut Deum inclinaret ad votum et hominis immutaret affectum, daemonum protervitatem suo iussu propelleret et flammarum voracitatem solo nutu refrenaret. 
    9 Revera haec est, quae possessores suos exaltans, dum omnibus reverentiam exhibet, ab omnibus promeretur honorem.

    TEXTO TRADUZIDO

    Legenda Maior - VI,11

    11 
    1 Pois o homem santo detestava a soberba, origem de todos os males, e a desobediência, sua pior prole, mas não era menor o apreço que tinha pela humildade da penitência. 
    2 Aconteceu que uma vez foi-lhe apresentado um frade que, contra a lei da obediência, tinha feito algo que precisava ser corrigido pela disciplina da justiça. 
    3 Mas quando o varão de Deus viu que aquele frade estava verdadeiramente compungido, por sinais evidentes, foi levado a perdoá-lo por amor da humildade. 
    4 Todavia, para que a facilidade do perdão não fosse um incentivo para o erro, mandou que se tirasse o capuz do frade jogando-o no meio das chamas, para que todos percebessem com quanta e qual espécie de vingança era preciso dar valor à ofensa da desobediência. 
    5 Quando o capuz já estava havia algum tempo no meio do fogo, mandou tirá-lo e devolve-lo ao frade humildemente penitente. 
    6 Que maravilha! O capuz foi tirado do meio das chamas sem ter nenhum vestígio de queimadura. 
    7 Assim aconteceu que Deus, só com esse milagre, recomendou a virtude do homem santo e a humildade da penitência. 
    8 Por isso a humildade de Francisco deve ser dignamente seguida, pois mereceu tão admirável dignidade também na terra: inclinou Deus ao seu desejo, mudou a disposição de um homem, avassalou com sua ordem a maldade dos demônios e refreou a voracidade das chamas só com o seu desejo. 
    9 Certamente esta é a virtude que exalta os que a possuem, presta reverência a todos e merece ser honrada por todos.