LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

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  • Fontes Biográficas
  • São Boaventura
  • Legenda Maior

TEXTO ORIGINAL

Legenda Maior - VII,1

Caput VII - De amore paupertatis et mira suppletione defectuum. 

1 
1 Inter cetera charismatum dona, quae a largo Datore Franciscus obtinuit, praerogativa quadam speciali promeruit in divitias simplicitatis excrescere per altissimae paupertatis amorem. 
2 Hanc Filio Dei vir sanctus familiarem attendens et iam quasi toto orbe repulsam, caritate sic studuit desponsare perpetua (cfr. Ier 31,3), quod non solum pro ea patrem matremque reliquit (cfr. Gen 2,24; Mar 10,7), verum etiam quae habere potuit universa dispersit. 
3 Nemo tam auri quam ipse cupidus paupertatis, nec thesauri custodiendi sollicitior ullus quam iste huius evangelicae margaritae. 
4 In hoc praecipue suus offendebatur adspectus, si quidquam videret in fratribus, quod paupertati non per omnia consonaret. 
5 Revera ipse a principio religionis usque ad mortem tunica, chordula et femoralibus dives, his contentus fuit. 
6 Christi Iesu paupertatem et Matris frequenter cum lacrimis revocabat ad mentem; 
7 inde hanc virtutum asserens esse reginam, quia in Rege regum (cfr. 1Tim 6,15) et in regina Matre ipsius tam praestanter effulsit. 
8 Nam et fratribus in conclavi quaerentibus, quae virtus magis amicum redderet Christo, quasi secretum sui cordis aperiens, respondebat: 
9 ”Paupertatem noveritis, fratres, specialem viam esse salutis tamquam humilitatis fomentum perfectionisque radicem, cuius est fructus multiplex, sed occultus. 
10 Haec enim est evangelici agri thesaurus absconditus (cfr. Mat 13,44), pro quo emendo vendenda sunt omnia, et quae vendi non possunt illius comparatione spernenda”.

TEXTO TRADUZIDO

Legenda Maior - VII,1

Capítulo 7 – Sobre o amor à pobreza e a admirável solução nas necessidades. 

1 
1 Entre outros dons dos carismas que Francisco obteve do generoso Doador, mereceu uma certa prerrogativa de crescer nas riquezas da simplicidade pelo altíssimo amor da pobreza. 
2 Levando em conta o homem santo que essa virtude tinha sido tão familiar ao Filho de Deus e já estava repelida por quase todo o mundo, esforçou-se por desposá-la com um amor perpétuo, pois por ela não só deixou pai e mãe, mas também distribuiu tudo que podia ter. 
3 Não houve ninguém tão cobiçoso de ouro como ele da pobreza, nem tão solícito para guardar algum tesouro quanto ele guardou a pérola evangélica. 
4 Seu rosto ficava ofendido principalmente nisto: se via alguém entre os frades que não estivesse em tudo de acordo com a pobreza. 
5 De fato, ele mesmo, desde o princípio da religião até a morte, ficou contente de ser rico com a túnica, o cordão e os calções. 
6 Recordava com freqüência e com lágrimas a pobreza de Jesus Cristo e de sua Mãe. 
7 Por isso afirmava que essa virtude era rainha, porque brilhou validamente no Rei dos reis e na rainha sua Mãe. 
8 Por isso, quando os frades lhe perguntaram em uma reunião que virtude tornava alguém mais amigo de Cristo, respondeu como quem abria o segredo de seu coração: 
9 “Sabei, irmãos, que a pobreza é um caminho especial de salvação, como o fomento da humildade e a raiz da perfeição, cujo fruto é múltiplo, mas oculto. 
10 Pois ela é o tesouro escondido no campo do evangelho, que não dá para comprar sem vender tudo, e as que não podem ser vendidas em sua comparação devem ser desprezadas”.