LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

  • Fontes Franciscanas
  • Fontes Biográficas
  • São Boaventura
  • Legenda Maior

TEXTO ORIGINAL

Legenda Maior - VII,2

2 
1 ”Ad huius”, inquit, ”culmen qui cupit attingere, non solum mundanae prudentiae, verum etiam litterarum peritiae renuntiare quodam modo debet, ut, tali expropriatus possessione, introëat in potentias Domini (cfr. Ps 70,16) et nudum se offerat brachiis Crucifixi. 
2 Nequaquam enim saeculo perfecte renuntiat qui proprii sensus loculos intra cordis arcana reservat”. 
3 Saepe vero de paupertate sermonem faciens, ingerebat fratribus evangelicum illud:” Vulpes foveas habent et volucres caeli nidos, Filius autem hominis non habet ubi caput suum reclinet (Mat 8,20; Luc 9,58)”. 
4 Propter quod docebat fratres, ut pauperum more pauperculas casas erigerent, quas non inhabitarent ut proprias, sed sicut peregrini et advenae (cfr. 1Pet 2,11) alienas. 
5 Leges namque peregrinorum (cfr. Ex 12,49) esse dicebat sub alieno colligi tecto, sitire ad patriam, pacifice pertransire. 
6 Mandabat dirui aliquando domos erectas, aut fratres exinde amoveri, si aliquid in eis perciperet, quod ratione appropriationis vel sumptuositatis contrarium esset evangelicae paupertati. 
7 Hanc sui dicebat Ordinis fundamentum, cui substrato primarie sic omnis structura religionis innititur, ut ipsius firmitate firmetur et eversione funditus evertatur.

TEXTO TRADUZIDO

Legenda Maior - VII,2

2 
1 Dizia: “Quem quer chegar ao seu cume, tem que renunciar de certa forma não só à prudência mundana mas também ao domínio das letras, para que, expropriado dessa posse, entre nos poderes do Senhor e se ofereça nu aos braços do Crucificado. 
2 Pois de modo algum renuncia perfeitamente ao século quem reserva nos segredos de seu coração a bolsa das próprias idéias”. 
3 Muitas vezes, falando da pobreza, citava aquela passagem do Evangelho: As raposas têm suas covas, e as aves do céu, os seus ninhos, mas o Filho do homem não tem onde repousar a cabeça 
4 Por isso ensinava aos frades que deviam construir casas do jeito dos pobres, não morando nelas como donos mas como peregrinos e forasteiros, na casa dos outros. 
5 Pois dizia que as leis dos peregrinos eram: hospedar-se sob teto alheio, ter sede da pátria, passar pacificamente. 
6 Mandou algumas vezes destruir casas construídas, ou que os frades fossem removidos delas, se percebesse nelas alguma coisa de apropriação ou de suntuosidade, contrário à pobreza evangélica. 
7 Dizia que a pobreza era o fundamento de sua Ordem, e que sobre essa base firma-se primeiramente toda a estrutura da religião, de modo que, se for firme, tudo será firme; se falsear, tudo será destruído.