LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

  • Fontes Franciscanas
  • Fontes Biográficas
  • São Boaventura
  • Legenda Maior

TEXTO ORIGINAL

Legenda Maior - VII,6

6 
1 Accidit post haec quiddam mirabile viro sancto, dum se ad civitatem Senensem, causa exigente, transferret.
2 Tres quidem mulieres pauperculae, statura, aetate ac facie per omnia similes, in quadam ei magna planitie inter Campilium et Sanctum Quiricum occurrerunt, novum salutationis munusculum offerentes: “Bene veniat”, inquiunt, ”domina paupertas!”. 
3 Quo audito, verus paupertatis amator indicibili repletus est gaudio, utpote qui nihil in se salutandum hominibus tam libenter haberet, quam quod illae decreverant. 
4 Subito disparentibus illis, considerantes fratres socii, tam admirabilem in eis similitudinis, salutationis, occursus et disparentiae novitatem, mysticum aliquid designari circa virum sanctum non irrationabiliter perpenderunt. 
5 Sane per illas tres, ut videbatur, mulieres pauperculas sic uniformi facie occurrentes, sic saltitantes insolite, sic subito disparentes, evangelicae perfectionis formositas, quantum ad castitatem scilicet, obedientiam et paupertatem, satis convenienter ostenditur in viro Dei pari forma perfecte fulsisse, licet gloriari praeelegerit in privilegio paupertatis, quem modo matrem, modo sponsam, modo dominam (cfr. Mat 12,50; 2Cor 11,2) nominare solebat. 
6 In hac caeteros cupiebat excedere, qui ex ipsa didicerat inferiorem se omnibus reputare. 
7 Si quando igitur pauperiorem se quempiam secundum exteriorem habitum cerneret, semetipsum protinus arguens excitabat ad simile, tamquam si aemula paupertate concertans, vinci se timeret in illo. 
8 Accidit enim, ut pauperculum quemdam obvium haberet in via, cuius cum nuditatem aspiceret, compunctus corde, lamentabili voce dixit ad socium: 
9 ”Magnam verecundiam intulit nobis huius inopia, quia nos pro magnis divitiis paupertatem elegimus, et ecce magis relucet in isto”.

TEXTO TRADUZIDO

Legenda Maior - VII,6

6 
1 Depois disso, aconteceu algo admirável para o homem santo, quando foi à cidade de Sena, por um motivo que o exigiu. 
2 Pois três mulheres pobrezinhas, parecidas em tudo pelo tamanho, pela idade e pelo rosto, foram ao seu encontro em uma grande planície entre Campília e São Quirico, apresentando-lhe uma nova maneira de saudar: “Benvinda, senhora pobreza!”. 
3 Ouvindo isso, o verdadeiro amante da pobreza ficou repleto de uma gozo indizível, pois para ele não haveria nenhum outro modo melhor de saudar alguém do que aquele que elas escolheram. 
4 Como elas desapareceram de repente, os frades companheiros, considerando tão admirável semelhança entre elas, a saudação, a novidade do encontro e do desaparecimento, não sem razão acharam que isso designava alguma coisa mística a respeito do santo homem. 
5 De fato, por essas três, que pareciam mulheres pobrezinhas vindo ao encontro com rosto tão uniforme, saudando de forma tão insólita, desaparecendo tão de repente, mostra-se muito convenientemente como brilhavam de igual maneira no homem de Deus a castidade, a obediência e a pobreza, ainda que ele preferisse gloriar-se no privilégio da pobreza, a quem costumava chamar às vezes de mãe, às vezes de esposa, às vezes de senhora. 
6 Nela desejava vencer a todos, ele que dela aprendera a julgar-se inferior a todos. 
7 Por isso, quando encontrava alguém mais pobre do que ele pela apresentação exterior, imediatamente se interpelava, animando-se a fazer o mesmo, como se temesse sair perdendo daquele se estivesse lutando com a pobreza como adversária. 
8 Aconteceu que encontrou um pobrezinho na estrada e, quando viu sua nudez, compungido de coração, disse com voz lamentosa o companheiro: 
9 “A miséria deste trouxe-nos uma grande vergonha, porque nós escolhemos a pobreza em vez grandes riquezas, mas nele está reluzindo melhor”.