LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

  • Fontes Franciscanas
  • Fontes Biográficas
  • São Boaventura
  • Legenda Maior

TEXTO ORIGINAL

Legenda Maior - VII,11

11 
1 Tempore, quo infirmus iacebat in eremitorio prope Reate, medicus quidam opportuno eum frequentabat officio. 
2 Cum autem Christi pauper impotens esset ad rependendam mercedem labori condignam, liberalissimus Deus, ne ipsum sine praesenti remuneratione dimitteret, pium eius obsequium hoc uno beneficio vice pauperis compensavit. 
3 Huius enim medici domus, quam tunc temporis ex omni lucro suo de novo construxerat, parietum patula scissione a summo usque deorsum (cfr. Mat 27,51) adeo de proximo minabatur ruinam, quod non videbatur per humanae artis industriam possibile ipsius casui obviari. 
4 Ipse vero, de sancti viri meritis plene confidens, cum magnae fidei devotione petivit a sociis eius aliquid sibi concedi, quod idem vir Dei manibus contrectasset. 
5 Cum igitur modicum de capillis ipsius multa precum obtentum instantia posuisset de sero intra muri scissuram: mane consurgens, tanta invenit aperturam illam soliditate conclusam, ut nec reliquias ibi positas posset extrahere, nec scissurae prioris vestigium aliquod invenire (cfr. Sap 5,10); 
6 factumque est, ut qui ruinoso corpusculo servi Dei sedule ministrarat, ruiturae domus propriae periculo praecaveret.

TEXTO TRADUZIDO

Legenda Maior - VII,11

11 
1 No tempo em que jazia doente no eremitério perto de Rieti, um médico visitava-o freqüentemente para prestar-lhe serviço. 
2 Mas como o pobre de Cristo não podia pagar-lhe com uma recompensa condigna, o liberalíssimo Deus, para que ele não fosse despedido sem uma presente remuneração, fez um piedoso obséquio para pagar no lugar do pobre. 
3 Pois a casa desse médico, que ele tinha então recém construído com seu lucro, apresentou uma rachadura que ia de alto a baixo das paredes, ameaçando uma ruína tão eminente que parecia impossível evitar sua queda com a arte ou indústria humana. 
4 Ele, porém, confiando plenamente nos méritos do santo homem, pediu como muita devoção de fé a seus companheiros que lhe concedessem alguma coisa que o homem de Deus tivesse tocado com suas mãos. 
5 Depois de reiteradas insistências, pôde obter um pouco dos cabelos de Francisco, que ele mesmo colocou, de tarde, dentro de uma das rachaduras do muro; quando se levantou de manhã, encontrou aquela abertura tão solidamente fechada que nem pôde tirar de lá as relíquias que tinha colocado, e nem encontrar nenhum vestígio de onde tinha sido a rachadura. 
6 E isso aconteceu para que aquele que tinha cuidado com diligência do corpo arruinado do servo de Deus, pudesse livrar-se da ruína que ameaçava sua própria casa.