LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

  • Fontes Franciscanas
  • Fontes Biográficas
  • São Boaventura
  • Legenda Maior

TEXTO ORIGINAL

Legenda Maior - VII,12

12 
1 Alio quoque tempore vir Dei ad quamdam eremum transferre se volens, ut ibi liberius contemplationi vacaret, quia debilis erat, cuiusdam viri pauperis vectabatur asello. 
2 Cumque diebus aestivis famulum Christi sequendo vir ille montana conscenderet (cfr. Ios 2,16), asperioris et longioris viae itinere fatigatus (cfr. Ioa 4,6) nimioque sitis ardore deficiens, instanter coepit clamare post sanctum: ”En, morior”, inquit, ”siti, nisi poculi alicuius beneficio continuo refociller”. 
3 Absque mora vir Dei prosilivit de asino, et fixis in terra genibus, palmas tetendit in caelum, orare non cessans 2Par 6,13; Col 1,9), donec se intellexit auditum. 
4 Oratione tandem finita: ”Festina”, inquit viro, ”ad petram et illic aquam vivam invenies, quam tibi hac hora misericorditer Christus de lapide bibendam produxit (cfr. Is 48.21)”. 
5 Stupenda Dei dignatio, quae servis suis tam facile se inclinat! 
6 Bibit sitiens homo aquam de petra orantis virtute et poculum hausit de saxo durissimo (cfr. Ps 77,16; Deut 32,13). 
7 Aquae decursus (cfr. Ps 1,3) ibidem ante non fuit, nec, ut est diligenter quaesitum, deinceps potuit inveniri.

TEXTO TRADUZIDO

Legenda Maior - VII,12

12 
1 Em outra ocasião, querendo o homem de Deus transferir-se para um certo eremitério para entregar-se melhor à contemplação, como estava fraco, foi levado num burrico por um homem pobre. 
2 Como o homem ia seguindo o servo de Cristo em dias de verão e subindo uma montanha, cansado pelo caminho áspero e longo, e desfalecendo pelo ardor demasiado da sede, começou a clamar insistentemente atrás do santo: “Olha que vou morrer de sede se não tomar imediatamente alguma coisa para beber”. 
3 O homem de Deus desceu na mesma hora do burro, pôs os joelhos no chão, estendeu as mãos para o céu e não parou de rezar enquanto não compreendeu que tinha sido atendido. 
4 Afinal, quando acabou a oração, disse ao homem: “Vá depressa àquela pedra que lá vais água viva, que nesta hora Deus fez sair misericordiosamente da pedra para tu beberes”. 
5 Estupenda dignação de Deus, que se inclina tão facilmente para os seus servos! 
6 O homem sedento bebeu água da pedra pela virtude do orante, e extraiu líquido de uma rocha duríssima. 
7 Não havia ali nenhuma corrente de água anteriormente, e não foi encontrada depois, mesmo procurada com diligência.