LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

  • Fontes Franciscanas
  • Fontes Biográficas
  • São Boaventura
  • Legenda Maior

TEXTO ORIGINAL

Legenda Maior - VII,13

13 
1 Qualiter autem per merita sui pauperis Christus muliplicaverit cibos in mari, cum suo loco sit inferius adnotandum, hoc tantum commemorasse sufficiat, quod de modica eleemosyna sibi collata nautas a famis et mortis periculo per dies plurimos liberavit, 
2 ut ex hoc liquido possit adverti quod omnipotentis Dei famulus sicut in eductione aquae de petra (cfr. Ps 77,16) conformis exstitit Moysi, sic in multiplicatione victualium Eliseo. 
3 Procul igitur a pauperibus Christi diffidentia omnis abscedat. 
4 Si enim paupertas Francisci adeo copiosae sufficientiae fuit, ut subvenientium sibi defectus tam mira virtute suppleret, quod nec cibus nec potus nec domus deesset, cum pecuniae et artis et naturae facultas defecerat: 
5 multo magis illa merebitur, quae usitato divinae providentiae ordine communiter conceduntur. 
6 Si, inquam, petrae siccitas ad pauperis vocem abundans poculum sitienti propinavit pauperculo, nil iam inter omnia suum denegabit obsequium iis qui pro Auctore omnium omnia reliquerunt.

TEXTO TRADUZIDO

Legenda Maior - VII,13

13 
1 Como vamos falar mais adiante, em seu lugar, de como Cristo, pelos méritos de seu pobre, multiplicou alimentos no mar, basta lembrar agora que com a pequena esmola que lhe deram, libertou os marinheiros do perigo da fome e da morte por muitos dias. 
2 Por isso, podemos perceber muito bem que, como para tirar água da pedra o servo de Deus onipotente foi parecido com Moisés, e pareceu-se com Eliseu na multiplicação de comida. 
3 Que se afaste, portanto, toda desconfiança dos pobres de Cristo. 
4 Pois se a pobreza de Francisco foi de uma suficiência tão copiosa que supriu com tão admirável virtude as necessidades que se apresentavam, que não ficavam faltando nem comida, nem bebida, nem casa quando já tinha falhado o poder do dinheiro, da arte e da natureza. 
5 Vai merecer muito mais as coisas que são concedidas comumente pela ordem habitual da divina providência. 
6 Pois, como eu digo, se a secura da pedra à voz do pobre concedeu bebida abundante ao pobrezinho sedento, nenhuma outra criatura vai negar seu obséquio àqueles que pelo Autor de tudo deixaram tudo.