LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Legenda Maior - VIII,5

    5 
    1 Afflictis quoque qualicumque corporali molestia mira compassionis teneritudine condescendens, si quid penuriae, si quid defectus in aliquo cerneret, pii cordis dulcedine regerebat in Christum. 
    2 Sane clementiam habebat ingenitam, quam superinfusa Christi pietas duplicabat. 
    3 Itaque liquescebat animus eius ad pauperes et infirmos, et quibus non poterat manum, exhibebat affectum. 
    4 Contigit semel, ut pauperi cuidam eleemosynam importune petenti unus e fratribus durius responderet.
    5 Quod audiens pauperum pius amator, fratri praecepit, ut ad illius pauperis pedes se nudatum prosterneret, proclamaret culpabilem, orationis suffragium postularet et veniam. 
    6 Quod cum ille fecisset humiliter, dulciter pater adiecit: ”Dum pauperem vides, o frater, speculum tibi proponitur Domini et pauperis Matris eius. 
    7 In infirmis similiter infirmitates, quas assumpsit, considera!”. 
    8 Cumque in pauperibus cunctis et ipse christianissimus pauper effigiem Christi prospiceret, si qua etiam necessaria vitae sibi collata fuissent, eis occurrentibus non solum liberaliter conferebat, verum etiam, ac si illorum propria essent, iudicabat esse reddenda. 
    9 Accidit semel, ut eidem redeunti de Senis pauper quidam occurreret, cum occasione infirmitatis super habitum palliolo quodam esset amictus. 
    10 Cuius miseria oculo clementi conspecta: ”Oportet”, inquit ad socium, ”ut reddamus mantellum pauperculo isti, nam ipsius est. 
    11 Mutuo enim ipsum accepimus (cfr. Luc 6,34), donec pauperiorem invenire contingeret”. 
    12 Socius autem pii patris necessitatem considerans, pertinaciter obsistebat, ne provideret alii, se neglecto. 
    13 At ille: ”Pro furto mihi”, ait, ”reputo a magno Eleemosynario imputandum, si hoc quod fero, non dedero magis egenti”. 
    14 Propterea de omnibus, quae sibi dabantur ad necessitatem corporis relevandam, solitus erat a dantibus licentiam petere, ut licite posset, si magis egenus occurreret, erogare. 
    15 Nulli prorsus rei parcebat, nec mantellis nec tunicis nec libris nec etiam paramentis altaris, quin omnia haec, dum posset, ut pietatis impleret officium, indigentibus largiretur. 
    16 Pluries, cum oneratis obviaret in via pauperibus, imbecilles humeros illorum oneribus supponebat.

    TEXTO TRADUZIDO

    Legenda Maior - VIII,5

    5 
    1 Com admirável ternura de compaixão, compadecia-se dos aflitos por qualquer moléstia corporal; se via alguma penúria ou alguma falta em alguém, com a doçura do seu piedoso coração referia-o ao próprio Cristo. 
    2 É certo que tinha uma clemência congênita, duplicada pela infusão da piedade de Cristo. 
    3 Por isso comovia-se com os pobres e doentes, e aos que não podia socorrer com sua mão, demonstrava seu afeto. 
    4 Aconteceu, uma vez, que um dos frades respondeu mais duramente a um pobre que pedia esmola importunamente. 
    5 Ouvindo isso, ele, que era um piedoso amante dos pobres, mandou ao frade que se prostrasse despido aos pés daquele pobre, dissesse que era culpado, pedisse perdão e a ajuda de sua oração. 
    6 Como ele o tivesse feito com humildade, o pai acrescentou docemente: “Quando vês um pobre, ó irmão, o que se te apresenta é um espelho do Senhor e de sua Mãe pobre. 
    7 Olha do mesmo jeito, nos doentes, as doenças que Ele assumiu!”. 
    8 E como este pobre muito cristão via a imagem de Cristo em todos os pobres, se alguma vez lhe davam as coisas necessárias para a vida, encontrando-se com eles não só lhas dava liberalmente, mas também achava que deviam ser devolvidas a eles, como se fossem os donos. 
    9 Aconteceu, uma vez, que ele ia voltando de Sena vestido com uma capinha por cima do hábito, por estar doente, e encontrou um pobre. 
    10 Olhando com clemência a sua miséria, disse ao companheiro: “Convém devolvermos a este pobre a capinha, porque é dele. 
    11 Pois nós a recebemos emprestada, até que encontrássemos alguém mais pobre”. 
    12 Mas o companheiro, pensando na necessidade do piedoso pai, resistiu obstinadamente, para que não ajudasse ao outro descuidando de si mesmo. 
    13 E ele disse: “Eu acho que o grande esmoler vai me imputar como um roubo se eu não der isto que estou levando ao que mais necessita”. 
    14 Por isso mesmo, de tudo que lhe davam para ajudar as necessidades do corpo, costumava pedir licença aos doadores para poder dar licitamente, se aparecesse alguém mais necessitado. 
    15 Não poupava coisa alguma: nem capuz, nem túnicas, nem livros e nem paramentos do altar: dava tudo isso aos necessitados, quando podia, para cumprir o ofício da piedade. 
    16 Muitas vezes, quando encontrava pobres carregados, oferecia seus fracos ombros para levar suas cargas.