LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

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  • São Boaventura
  • Legenda Maior

TEXTO ORIGINAL

Legenda Maior - VIII,11

11 
1 Moram eo faciente tempore quodam in eremitorio Graecii, loci illius indigenae malis multiplicibus vexabantur. 
2 Nam et luporum rapacium multitudo non solum bruta, sed et homines consumebat, et grando annua tempestate blada et vineas devastabat. 
3 Dum igitur sic afflictis praeco sacri Evangelii praedicaret, dixit ad eos: 
4 ”Ad honorem et laudem omnipotentis Dei fideiubeo vobis, quod pestilentia haec omnis abscedet, et respiciens vos Dominus multiplicabit in temporalibus bonis, si mihi credentes, misereamini vestri, ut, vera confessione praemissa, dignos faciatis poenitentiae fructus (cfr. Mat 3,8). 
5 Iterum hoc annuntio vobis quod si beneficiis ingrati ad vomitum conversi fueritis cfr. Prov 26,11), innovabitur plaga, duplicabitur poena, et maior in vos ira desaeviet (cfr. Iods 22,18)”. 
6 Ab illa itaque hora, poenitentiam ad exhortationem ipsius agentibus illis, cessaverunt clades, periere pericula, nec molestiae quidquam lupi intulere (cfr. Dan 3,50) vel grandines. 
7 Immo, quod maius est, si quando vicinorum arva grando pervaderet, istorum terminis appropinquans, terminabatur ibidem, aut in partem aliam divertebat. 
8 Servavit grando, servaverunt et lupi pactionem servi Dei, nec contra pietatis legem in homines ad pietatem conversos attentaverunt amplius desaevire, quamdiu iuxta condictum contra piissimas Dei leges impie non egerunt. 
9 Pie igitur sentiendum de pietate viri beati, quae tam mirae dulcedinis et virtutis fuit, ut domaret ferocia, domesticaret silvestria, mansueta doceret et brutorum naturam homini iam lapso rebellem ad sui obedientiam inclinaret. 
10 Vere haec est, quae cunctas sibi creaturas confoederans, valet ad omnia, promissionem habens vitae, quae nunc est et futurae (cfr. 1Tim 4,8).

TEXTO TRADUZIDO

Legenda Maior - VIII,11

11 
1 Numa ocasião em que ele estava morando no eremitério de Grécio, os habitantes do lugar padeciam diversos males. 
2 Pois a multidão de lobos vorazes consumia não só animais mas também pessoas, e uma tempestade de granizo devastava todos os anos os campos e vinhedos. 
3 Vendo-os tão aflitos, o pregoeiro do Evangelho, estando a pregar, disse-lhes: 
4 “Para honra e louvor de Deus onipotente eu vos asseguro que vão desaparecer todas essas calamidades, e que o Senhor olhará para vós e multiplicará os bens temporais, se, acreditando em mim, tiverdes misericórdia de vós mesmos, fizerdes primeiro uma verdadeira confissão e depois produzirdes dignos frutos de penitência”. 
5 Também vos anuncio que, se fordes ingratos voltando ao vômito, renovar-se-á a praga, a pena será duplicada e uma ira maior será descarregada sobre vós”. 
6 Por isso, pondo eles em prática a penitência a que ele os exortara, pararam as calamidades, acabaram os perigos, lobos e granizo já não molestaram. 
7 Até, o que é mais interessante, se alguma vez os campos dos vizinhos eram cobertos de granizo, quando chegava perto das divisas deles, parava por aí ou ia para outro lado. 
8 O granizo observou, os lobos também observaram o pacto do servo de Deus, e não tentaram mais maltratar contra a lei da piedade as pessoas convertidas à piedade, por todo o tempo em que, de acordo com o combinado, eles não agiram impiamente contra as leis piedosíssimas de Deus. 
9 Por isso, devemos pensar piedosamente sobre a piedade do homem bem-aventurado, que possuiu tão admirável doçura e força que domou o que era feroz, domesticou o que era silvestre, ensinou a mansidão e inclinou à sua obediência a natureza já rebelada contra o homem caído. 
10 Na verdade é esta que, reconciliando entre si todas as criaturas, é útil para tudo, pois tem uma promessa para esta vida e para a futura (cfr. 1Tm 4,8).