LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

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  • São Boaventura
  • Legenda Maior

TEXTO ORIGINAL

Legenda Maior - IX,4

4 
1 Sic autem eum caritatis excessiva devotio sursum in divina ferebat, ut eiusdem affectuosa benignitas ad naturae consortes et gratiae dilataret. 
2 Quem enim creaturis ceteris germanum pietas cordis effecerat, mirum non est, si Creatoris insignitis imagine et sanguine redemptis (cfr. Apoc 5,9) Auctoris germaniorem Christi caritas (cfr. 2Cor 5,14) faciebat. 
3 Non se Christi reputabat amicum, nisi animas foveret, quas ille redemit. 
4 Saluti animarum nihil praeferendum esse dicebat, eo maxime probans, quod Unigenitus Dei (cfr. Ioa 3,18) pro animabus dignatus fuerit in cruce pendere. 
5 Hinc sibi in oratione luctamen, in praedicatione discursus et in exemplis dandis excessus. 
6 Unde quoties austeritas nimia reprehenderetur in ipso, respondebat, se datum aliis in exemplum. 
7 Licet enim innocens eius caro, quae iam se sponte subdebat spiritui, nullo propter offensas egeret flagello, tamen exempli causa renovabat illi poenas et onera, custodiens propter alios vias duras (cfr. Ps 16,4). 
8 Dicebat enim: ”Si linguis hominum loquar et Angelorum, caritatem autem in me ipso non habeam et proximis virtutum exempla non monstrem, parum prosum aliis, mihi nihil (cfr. 1Cor 13,1.3)”.

TEXTO TRADUZIDO

Legenda Maior - IX,4

4 
1 Pois a extraordinária devoção da caridade elevava-o para as coisas divinas, que sua afetuosa bondade dilatava-o para os que eram seus consortes pela natureza e pela graça. 
2 Pois não é para admirar que aquele que a piedade do coração tornara irmão das outras criaturas, fazia-se pelo amor de Cristo ainda mais irmão dos que se distinguem pela imagem do Criador e foram remidos pelo sangue de seu Autor. 
3 Não se considerava amigo de Cristo se não procurava ajudar as almas que Ele remiu. 
4 Dizia que nada devia ser preferido à salvação das almas, provando-o principalmente porque o Unigênito de Deus dignou-se pender da cruz pelas almas. 
5 Daí provinham sua luta na oração, suas andanças na pregação e seus excessos para dar exemplo. 
6 Por isso, sempre que o repreendiam pela austeridade exagerada, respondia que tinha sido dado aos outros como exemplo. 
7 Pois ainda que sua carne inocente, que já se submetia espontaneamente ao espírito, não precisasse de nenhum flagelo por causa de ofensas, por causa do exemplo estava sempre renovando para ela penas e pesos, guardando os caminhos duros por causa dos outros. 
8 Pois dizia: “Se eu falar a língua dos homens e dos anjos, mas não tiver caridade em mim mesmo, e não der exemplo de virtudes ao próximo, pouco sirvo aos outros, e a mim nada (cfr. 1Cor 13,1.3)”.