LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Legenda Maior - X,2

    2 
    1 Solitus erat nullam visitationem Spiritus cum negligentia praeterire. 
    2 Siquidem cum offerebatur, sequebatur eam, et quamdiu Dominus concedebat, dulcedine perfruebatur oblata. 
    3 Cum autem intentus itineri, divini Spiritus aliquos sentiret afflatus, sociis praecedentibus, gradum figebat, novamque inspirationem ad fruitionem convertens, gratiam non recipiebat in vacuum (cfr. 2Cor 6,1). 
    4 Suspendebatur multoties tanto contemplationis excessu, ut supra semetipsum raptus et ultra humanum sensum aliquid sentiens, quid ageretur circa se exterius, ignoraret. 
    5 Transiens namque semel per Burgum S. Sepulchri, castrum utique populosum, pro debilitate corporis subvectus asello, obvias habuit turbas in eum prae devotione ruentes. 
    6 Tractus autem et detentus ab eis, compressus quoque ac multipliciter attrectatus, insensibilis videbatur ad omnia et velut exanime corpus de his quae fiebant circa ipsum, nihil penitus advertebat. 
    7 Unde cum, iam diu transito castro turbisque relictis, pervenisset ad quoddam domicilium leprosorum, quasi aliunde rediens, caelestium contemplator sollicite requisivit, quando propinquarent ad Burgum. 
    8 Mens quidem ipsius in caelestibus fixa splendoribus, varietates non senserat locorum nec temporum nec occurrentium personarum. 
    9 Quod ipsi accidisse frequentius sociorum eius experientia multiplex comprobavit.

    TEXTO TRADUZIDO

    Legenda Maior - X,2

    2 
    1 Estava acostumado a não perder, por negligência, nenhuma visita do Espírito. 
    2 Então, quando alguma se apresentava, seguia-a e aproveitava a doçura oferecida enquanto o Senhor lhe concedia. 
    3 Mas quando estava com a atenção na viagem e sentia algum sopro do Espírito divino, parava de andar, deixando os companheiros passarem na frente, e não recebia a graça em vão, pois transformava a nova inspiração em fruição. 
    4 Muitas vezes era arrebatado por tão grande excesso de contemplação que, arrebatado acima de si mesmo, e sentindo algo acima do sentido humano, não sabia o que estava acontecendo ao seu redor. 
    5 Pois, uma vez, passando por Borgo San Sepolcro, um castro populoso, carregado num burrinho por causa da fraqueza de seu corpo, foi encontrado por multidões que caíam em cima dele por devoção. 
    6 Puxado e detido por elas, também apertado e tocado de todas as maneiras, parecia insensível a tudo e, com o corpo exânime, não se dava absolutamente conta do que estava acontecendo ao seu redor. 
    7 Daí, quando já fazia tempo que tinha passado pelo castro e deixado as multidões, chegou a uma casa de leprosos e, como se estivesse voltando de algum outro lugar, o contemplador das coisas celestes perguntou quando chegariam ao Borgo. 
    8 Pois sua mente, fixa nos esplendores celestes, não percebera as variedades de tempos e lugares, nem as pessoas que encontrara. 
    9 A experiência de seus companheiros comprovou muitas vezes que isso aconteceu mais freqüentemente.