LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

  • Fontes Franciscanas
  • Fontes Biográficas
  • São Boaventura
  • Legenda Maior

TEXTO ORIGINAL

Legenda Maior - X,4

4 
1 Vir autem Dei solitarius remanens et pacatus, nemora replebat gemitibus, loca spargebat lacrymis, pectora manu tundebat, et quasi occultius secretarium nactus, confabulabatur cum Domino suo. 
2 Ibi respondebat iudici, ibi supplicabat patri, ibi colloquebatur amico, ibi quoque a fratribus ipsum pie observantibus aliquoties auditus est clamorosis gemitibus apud divinam pro peccatoribus interpellare clementiam, deplorare etiam alta voce quasi coram positam dominicam passionem. 
3 Ibi visus est nocte orans, manibus ad modum crucis protensis, toto corpore sublevatus a terra et nubecula quadam fulgente circumdatus, ut illustrationis mirabilis intra mentem mira circa corpus perlustratio testis esset. 
4 Ibi etiam, sicut certis est comprobatum indiciis, incerta sibi et occulta divinae sapientiae (cfr. Ps 50,8) pandebantur, quamvis illa non vulgaret exterius, nisi quantum Christi urgebat caritas (cfr. 2Cor 5,14) et proximorum utilitas exigebat. 
5 Dicebat enim: ”Levi mercede rem impretiabilem contingit amitti, et illum qui dedit, ad non dandum iterum facile provocari”. 
6 Quando a privatis redibat orationibus, quibus pene in virum alterum mutabatur (cfr. 1Re 10,6), summopere studebat conformare se ceteris, ne forte quod foris ostenderet aura favoris intus a mercede vacuaret (cfr. Sir 2,8). 
7 Cum in publico subito afficeretur, visitatus a Domino, semper aliquid obiciebat adstantibus, ne Sponsi familiares attactus forinsecus vulgarentur. 
8 Exscreationes, gemitus, duros anhelitus, extrinsecos nutus orans inter fratres devitabat omnino, sive quia diligebat secretum, sive quia ad interiora reintrans, totus ferebatur in Deum. 
9 Saepe talia familiaribus dixit: ”Quando servus Dei orans visitatur divinitus, dicere debet: 
10 Istam consolationem mihi peccatori (cfr. Luc 18,13) et indigno de caelo misisti (cfr. 1Pet 1,12), Domine, et ego illam tuae committo custodiae, quia thesauri tui me sentio esse latronem. 
11 Cum autem ab oratione revertitur, sic debet se pauperculum et peccatorem ostendere, ac si nullam sit novam gratiam consecutus”.

TEXTO TRADUZIDO

Legenda Maior - X,4

4 
1 Mas o homem de Deus, ficando só e sossegado, enchia os bosques de gemidos, espargia os lugares de lágrimas, batia a mão no peito e como se tivesse encontrado um santuário íntimo, conversava com o seu Senhor. 
2 Aí respondia ao juiz, suplicava ao pai, conversava com o amigo, aí também foi às vezes ouvido pelos frades que o observavam interpelando com clamorosos gemidos a divina clemência pelos pecadores, deplorando também em voz alta como se tivesse diante de si a paixão do Senhor. 
3 Aí foi visto uma noite a orar com as mãos estendidas em forma de cruz, com todo o corpo elevado da terra e circundado por uma nuvenzinha fulgente, como se o esplendor ao redor do seu corpo fosse testemunha da iluminação admirável que tinha interiormente. 
4 Aí também, como foi comprovado por indícios certos, eram mostradas a ele coisas incertas e ocultas da divina sabedoria, embora ele não as difundisse exteriormente a não ser quanto o amor de Cristo urgia e a utilidade do próximo exigia. 
5 Pois dizia: “Acontece que por uma ligeira satisfação pode perder-se um dom sem preço, provocando-se Aquele que o deu a não dar mais com facilidade”. 
6 Quando voltava de suas orações particulares, nas quais era transformado em um outro homem, esforçava-se muito por se conformar aos outros, para que não acontecesse de esvaziar-se por dentro do favor que mostrasse por fora. 
7 Se estava em público e recebia, de repente, uma visita do Senhor, sempre procurava colocar alguma coisa na frente dos presentes, para que não se divulgassem por fora os toques familiares do Esposo. 
8 Quando rezava entre os frades, tratava de evitar completamente as exclamações, gemidos, fortes suspiros, movimentos externos, tanto porque amava o segredo como porque, voltando para as coisas interiores, estava todo arrebatado em Deus. 
9 Muitas vezes disse coisas assim aos familiares: “Quando o servo de Deus está orando e é visitado por Deus, deve dizer: 
10 Senhor, mandaste-me do céu esta consolação, a mim que sou pecador e indigno, e eu a confio à tua guarda, porque me sinto um ladrão de teu tesouro. 
11 Mas quando volta da oração, deve mostrar-se tão pobrezinho e pecador como se não tivesse conseguido nenhuma graça nova”.