LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Legenda Maior - XI,3

    3 
    1 Adeo etiam in ipso claruit spiritus prophetiae, ut et praevideret futura et cordium contueretur occulta, absentia quoque velut praesentia cerneret et se praesentem absentibus mirabiliter exhiberet. 
    2 Tempore namque, quo Damiatam Christianorum obsidebat exercitus, aderat vir Dei, non armis sed fide munitus. 
    3 Cum igitur die belli Christiani pararentur ad pugnam, hoc audito, Christi servus vehementer ingemuit, 
    4 dixitque socio suo: ”Si belli fuerit attemptatus congressus, ostendit mihi Dominus non prospere cedere (cfr. 4Re 8,10) Christianis; 
    5 verum, si hoc dixero fatuus reputabor, si tacuero conscientiam non evadam. Quid ergo tibi videtur?”. 
    6 Respondit socius eius dicens: ”Frater, pro minimo tibi sit ut ab hominibus indiceris (cfr. 1Cor 4,3), quia non modo incipis fatuus reputari. 
    7 Exonera conscientiam tuam et Deum magis time quam homines (cfr. Act 5,29”. 
    8 Quo audito exsiliens Christi praeco salutaribus monitis Christianos aggreditur, prohibet bellum, denuntiat casum. 
    9 Fit veritas in fabulam, induraverunt cor (cfr. Tob 3,4; Ioa 12,40) suum et noluerunt reverti. 
    10 Itur, committitur et bellatur, totaque in fugam vertitur militia christiana, finem belli opprobrium regerens, non triumphum. 
    11 Tanta vero strage Christianorum imminutus est numerus ut circa sex millia fuerint inter mortuos et captivos. 
    12 In quo evidenter innotuit, quod spernenda non erat sapientia pauperis; cum anima viri iusti enuntiet aliquando vera, quam septem circumspectores sedentes in excelso ad speculandum (Sir 37,18).

    TEXTO TRADUZIDO

    Legenda Maior - XI,3

    3 
    1 Pois também resplandeceu nele o espírito da profecia, pois previa o futuro e também enxergava o oculto dos corações, percebendo também coisas ausentes como se fossem presentes e aparecia maravilhosamente para os que estavam longe. 
    2 No tempo em que o exército dos cristãos cercava Damieta, estava presente o homem de Deus, munido não de armas mas de fé. 
    3 Quando, no dia da batalha, os cristãos preparavam-se para a luta, ouvindo isso o servo de Deus gemeu muito alto, 
    4 e disse a seu companheiro: “O Senhor me mostrou que se tentarem travar combate, o resultado não será favorável aos cristãos; 
    5 mas se eu disser isso vou ser julgado louco, e se me calar minha consciência não suportará. Que te parece, então”? 
    6 O companheiro respondeu: “Irmão, não te importes se és julgado pelos homens, pois não é de agora que te acham louco. 
    7 Descarrega tua consciência e teme mais a Deus que aos homens”. 
    8 Ouvindo isso, o pregoeiro de Deus foi exultante enfrentar os cristãos, dizendo que não deveriam guerrear e avisando que seriam derrotados. 
    9 Mas a verdade foi tomada como uma fábula, endureceram seu coração e não quiseram voltar. 
    10 Foram, encontraram-se e combateram, e o exército cristão pôs-se todo em fuga, tendo como resultado da guerra o opróbrio e não o triunfo. 
    11 Foi tão grande o estrago que o número diminuiu em cerca de seis mil, entre mortos e prisioneiros. 
    12 Nisso ficou evidente que não se devia desprezar a sabedoria do pobre, pois a alma do homem justo às vezes anuncia as verdades melhor do que sete sentinelas colocadas no céu para vigiar (Sir 37,18).