LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

  • Fontes Franciscanas
  • Fontes Biográficas
  • São Boaventura
  • Legenda Maior

TEXTO ORIGINAL

Legenda Maior - XII,11

11 
1 Frater quidam infirmitate tam horribili gravabatur, ut magis esse vexatio daemonis quam naturalis infirmitas a pluribus firmaretur. 
2 Nam totus saepe allidebatur et volutabatur spumans (cfr. Mar 9,19), membris corporis nunc contractis nunc extensis, nunc plicatis, nunc tortis, nunc rigidis effectis et duris. 
3 Quandoque totus extensus et rigidus, pedibus aequatis capiti levabatur in altum, horribiliter illico relapsurus. 
4 Hunc sic miserabiliter et irremediabiliter aegrotantem plenus misericordia Christi servus commiserans, buccellam sibi panis, de quo edebat transmisit. 
5 Tantam vero gustatus panis contulit aegro virtutem, ut deinceps huius infirmitatis molestiam non sentiret. 
6 In comitatu Aretii cum diebus pluribus mulier quaedam laborasset in partu essetque iam proxima morti, nullum omnino desperanti de vita supererat remedium nisi Dei. 
7 Cum autem equo vectus propter corporis infirmitatem Christi famulus per partes illas transitum habuisset, contigit reduci animal per villam, in qua mulier torquebatur. 
8 Homines vero loci viso equo, cui vir sanctus insederat, extraxerunt frenum, ut superponerent mulieri; ad cuius contactum mirificum, omni remoto periculo, mulier illico peperit cum salute. 
9 Vir quidam de Castro Plebis religiosus ac timens Deum (cfr. Act 10,2), chordam apud se, qua cinctus fuerat sanctus Pater, habebat. 
10 Cumque multitudo virorum ac mulierum in castro illo variis infirmitatibus laboraret, ibat per infirmantium domos, et intincta chorda in aqua, dabat bibere patientibus, sicque per hunc modum plurimi sanabantur. 
11 Sed et de panibus a viro Dei contactis gustantes aegroti, divina operante virtute, consequebantur celeriter remedia sanitatum.

TEXTO TRADUZIDO

Legenda Maior - XII,11

11 
1 Um frade estava tão atormentado por uma doença tão horrível que muitos afirmavam que era mais uma atormentação diabólica que uma doença natural. 
2 Pois se debatia todo e se revirava espumando, com os membros do corpo ora contraídos ora estendidos, uma hora dobrados, outra outra entortados, outras vezes enrijecidos e duros. 
3 Às vezes ficava todo estendido e rígido, com os pés juntos, levantava-se no alto para recair logo depois horrivelmente. 
4 O servo de Cristo, compadecendo-se desse irmão tão miserável e irremediavelmente doente, e lhe mandou um pedaço do pão que estava comendo. 
5 O pão, comido, deu tanta força ao doente que daí em diante não sentiu o incômodo da doença. 
6 No condado de Arezzo, como uma mulher tivesse passado muitos dias em trabalho de parto e já estivesse para morrer, já desesperava da vida e o único remédio que lhe sobrava era Deus. 
7 Como o servo de Cristo tinha passado a cavalo, por causa da enfermidade do corpo, por aqueles lados, aconteceu que o animal voltou pela vila onde a mulher sofria. 
8 Quando as pessoas do lugar viram o cavalo em que o homem santo tinha montado, tiraram o freio para colocá-lo em cima da mulher. Ao seu mirífico contato, afastado todo perigo, a mulher logo deu à luz com saúde. 
9 Um homem de Città della Pieve, religioso e temente a Deus, tinha consigo uma corda com que o santo pai se cingira. 
10 Como uma multidão de homens e mulheres desse lugar sofriam de diversas enfermidades, ele ia pelas casas e, mergulhando a corda na água, dava de beber aos pacientes, e desse modo muitos ficaram curados. Mas os doentes também conseguiam rapidamente os remédios para a saúde, por operação da virtude divina, comendo dos pães tocados pelo homem de Deus.