LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

  • Fontes Franciscanas
  • Fontes Biográficas
  • São Boaventura
  • Legenda Maior

TEXTO ORIGINAL

Legenda Maior - XIII,1

Caput XIII - De stigmatibus sacris. 

1 
1 Mos erat angelico viro Francisco numquam otiari a bono, quin potius instar spirituum supernorum in scala Iacob aut ascendebat in Deum, aut descendebat (cfr. Gen 28,12) ad proximum. 
2 Nam tempus sibi concessum ad meritum dividere sic prudenter didicerat, ut aliud proximorum lucris laboriosis impenderet, aliud contemplationis tranquillis excessibus dedicaret. 
3 Unde cum secundum exigentiam locorum et temporum alienae condescendisset procurandae saluti, inquietationibus derelictis turbarum, solitudinis secreta petebat locumque quietis, quo liberius Domino vacans, extergeret, si quid pulveris sibi ex conversatione hominum adhaesisset (cfr. Luc 10,11). 
4 Biennio itaque antequam spiritum redderet caelo, divina providentia duce, post labores multimodos perductus est in locum excelsum seorsum (cfr. Mat 17,1), qui dicitur Mons Alvernae. 
5 Cum igitur iuxta solitum morem quadragesimam ibidem ad honorem sancti Archangeli Michaelis ieiunare coepisset, supernae contemplationis dulcedine abundantius solito superfusus ac caelestium desideriorum ardentiore flamma succensus, supernarum coepit immissionum cumulatius dona sentire. 
6 Ferebatur quidem in altum, non ut curiosus maiestatis perscrutator opprimendus a gloria (cfr. Prov 25,27), sed tamquam servus fidelis et prudens (cfr. Mat 24,45), investigans beneplacitum Dei, cui se conformare omnimode summo peroptabat ardore.

TEXTO TRADUZIDO

Legenda Maior - XIII,1

Capítulo 13 – Sobre os sagrados estigmas. 

1 
1 Francisco, homem angélico, tinha por costume nunca perder tempo na busca do bem; antes, como os espíritos supernos na escada de Jacó, ou subia para Deus ou descia para o próximo. 
2 Pois aprendera a dividir o tempo que lhe fora concedido para o merecimento de maneira tão prudente que dedicava uma parte para lucros laboriosos do próximo; outra, para os tranquilos excessos da contemplação. 
3 Por isso, depois de ter se empenhado, segundo as exigências dos lugares e dos tempos, na busca da salvação, abandonando as inquietações das turbas, procurava os segredos da solidão e um lugar de sossego, onde, entregando-se mais livremente ao Senhor, limpasse o pó que porventura pudesse ter recebido por viver no meio das pessoas. 
4 Por isso, dois anos antes de entregar seu espírito ao céu, foi conduzido pela divina providência, depois de múltiplos trabalhos, para um lugar elevado e solitário chamado Monte Alverne. 
5 Por isso, como, de acordo com o seu costume, começasse a jejuar para fazer a quaresma de São Miguel Arcanjo, ficou transbordante pela doçura da contemplação superna, mais do que habitualmente, e, aceso pela chama mais ardente dos desejos celestes, começou a sentir num acúmulo maior os dons dos derramamentos celestes que nele se faziam. 
6 Era carregado para o alto, não como curioso esquadrinhador da majestade para ser oprimido pela glória, mas como um servo fiel e prudente, investigando o que era agradável a Deus, a quem desejava conformar-se de todas as maneiras com o maior ardor.