LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Legenda Maior - XIII,7

    7 
    1 Circa praefatum Montem Alvernae, antequam vir sanctus ibi contraheret moram, nube ex ipso monte surgente, grandinis violenta tempestas fructus terrae consuetudinarie devastabat. 
    2 Sed post illam apparitionem felicem, non sine incolarum admiratione, grando cessavit, ut caelestis illius visionis excellentiam et stigmatum ibidem impressorum virtutem serenata praeter morem ipsa caeli facies declararet. 
    3 Contigit quoque, eum tempore hiemali propter debilitatem corporis et asperitatem viarum hominis unius pauperis subvectum asello sub rupis cuiusdam prominentis pernoctare crepidine, ut nivis et noctis supervenientium quoquo modo declinaret incommoda; quibus praepeditus ad hospitii locum non valuerat pervenire. 
    4 Cum autem vir sanctus hominem illum querulosis submurmurantem gemitibus hinc inde se ipsum iactare sensisset, tamquam qui tenui operimento contectus, quiescere prae frigoris acerbitate nequibat, divini amoris fervore succensus, manu illum protensa palpavit. 
    5 Mirabile certe! Repente ad illius sacrae manus contactum, quae seraphici calculi (cfr. Is 6,6.7) gerebat incendium, omni fugato frigore, tantus in virum intus et extra calor advenit, ac si quaedam in eum vis flammea ex fornacis spiraculo processisset. 
    6 Nam illico et mente confortatus et corpore, suavius inter saxa et nives usque mane dormivit, quam unquam in proprio lecto pausaverat, sicut ipse postmodum asserebat. 
    7 Certis itaque constat indiciis, sacra illa signacula illius impressa fuisse virtute, qui operatione seraphica purgat, illuminat et inflammat, 
    8 cum ipsa forinsecus expurgando a peste salutem, serenitatem et calorem corporibus efficacia mira conferrent, 
    9 sicut et post mortem evidentioribus est demonstratum prodigus suo loco posterius adnotandis.

    TEXTO TRADUZIDO

    Legenda Maior - XIII,7

    7 
    1 Ao redor do referido Monte Alverne, antes do santo homem ter ido morar lá, uma nuvem que surgiu do monte devastava habitualmente os frutos da terra com uma violenta tempestade de granizo. 
    2 Mas, depois daquela aparição feliz, não sem admiração dos habitantes, acabou o granizo, e o próprio aspecto do céu, sereno fora do costume, deixava clara a excelência daquela aparição e a virtude dos estigmas lá impressos. 
    3 Também aconteceu que ele, montado no burrico de um pobre, no tempo do inverno, por causa da fraqueza do corpo e da aspereza dos caminhos, teve que pernoitar embaixo de uma rocha proeminente, para escapar de algum modo aos incômodos da neve e da noite, pois impedido por elas não pudera chegar ao hospício dos frades. 
    4 Quando o homem de Deus percebeu que aquele homem murmurava com gemidos queixosos e se jogava de um lado para o outro, pois, coberto por roupas insuficientes, não podia sossegar pela dureza do frio, aceso no amor divino, tocou-o com a mão estendida. 
    5 Foi certamente admirável! De repente, em contato com aquela mão sagrada que carregava o incêndio da brasa do Serafim, o frio foi posto em fuga e veio tanto calor por dentro e por fora do homem como se uma força inflamada tivesse escapado de uma fornalha. 
    6 Pois, imediatamente, confortado na mente e no corpo, dormiu mais suavemente entre as rochas e a neve do que jamais tinha conseguido em sua própria cama, como ele afirmava mais tarde. 
    7 Por isso, consta com indícios certos que as suas sagradas chagas foram impressas pela virtude daquele que, pela ação seráfica, limpa, ilumina e inflama. 
    8 Pois elas lhe davam uma admirável eficácia, por fora, para expurgar a peste e dar saúde, serenidade e calor aos corpos. 
    9 Também depois de sua morte isso foi demonstrado por prodígios ainda mais evidentes, como vamos contar, adiante, no seu lugar.