LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Legenda Maior - Miraculis I,4

    4 
    1 In urbe Roma matrona quaedam, morum claritate ac parentum gloria nobilis, sanctum Franciscum in suum elegerat advocatum, ipsius habens depictam imaginem in secreto cubiculo, ubi Patrem in abscondito exorabat (cfr. Mat 6,6). 
    2 Die vero quadam cum orationi vacaret, considerans imaginem Sancti sacra illa signa stigmatum non habentem, dolere coepit non modicum et mirari. 
    3 Sed non mirum, si in pictura non erat quod pictor omiserat. 
    4 Cumque per plures dies, quid causae foret defectus huiusmodi mente sollicita pertractaret, ecce, subito die quadam apparuerunt signa illa mirifica in pictura, sicut in aliis ipsius Sancti imaginibus pingi solent. 
    5 Tremefacta illa filiam suam Deo devotam protinus advocavit, requirens, si absque stigmatibus usque tunc imago fuisset. 
    6 Affirmat illa et iurat, sic olim sine stigmatibus exstitisse et nunc vere cum stigmatibus apparere. 
    7 Verum, quia mens humana semetipsam frequenter impellit ut cadat, et in dubium revocat veritatem, subintrat iterum cor mulieris dubitatio noxia, ne forte sic fuisset imago a principio consignata. 
    8 At Dei virtus, ne primum contemneretur miraculum, addidit et secundum. 
    9 Continuo namque disparentibus signis illis, nudata privilegiis imago remansit, ut per sequens signum fieret probatio praecedentis.

    TEXTO TRADUZIDO

    Legenda Maior - Milagres I,4

    4 
    1 Na cidade de Roma, uma matrona, nobre pela fama de seus costumes e pela glória dos pais, tinha escolhido São Francisco como seu advogado, e tinha uma imagem dele pintada num cubículo secreto, onde rezava ao pai no escondido. 
    2 Mas um dia, quando estava rezando, vendo que a imagem do santo não tinha aqueles sagrados sinais dos estigmas, começou a ficar admirada com não pouca dor. 
    3 Mas não era de admirar, porque não estava na pintura o que o pintor omitira. 
    4 Ela andou preocupada, por muitos dias, pensando qual teria sido a causa da falha e eis que, de repente, um dia, apareceram na pintura aqueles sinais admiráveis, como costumam ser pintados em outras imagens do santo. 
    5 A tremer, ela chamou logo sua filha, que era devota a Deus, e perguntou se até então a imagem fosse sem estigmas. 
    6 Ela afirmou e jurou que antes a imagem não tinha estigmas e que agora, na verdade, estava com os estigmas. 
    7 Entretanto, como a mente humana freqüentemente empurra a si mesma para cair, e transforma a verdade em dúvida, voltou outra vez ao coração da mulher a dúvida perniciosa de que talvez a imagem já tivesse os sinais desde o começo. 
    8 Mas a virtude de Deus, para que o primeiro milagre não fosse desprezado, fez mais um. 
    9 Desapareceram de repente aqueles sinais e a imagem ficou despida dos privilégios, para que pelo sinal seguinte ficasse provado o precedente.