LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Legenda Maior - Miraculis II,3

    3 
    1 Cum fratres de Noceria peterent quoddam plaustrum a quodam viro, Petro nomine, quo aliquantulum indigebant, stulte respondit eis, pro petito subsidio irrogando convicium, et pro eleemosyna ad honorem sancti postulata Francisci, in nomen ipsius blasphemiam iaculando. 
    2 Poenituit hominem statim insipientiae suae, divino super eum irruente pavore, ne forte ultio Domini sequeretur, sicut et fuit protinus subsecuta. 
    3 Nam infirmatus continuo primogenitus eius, parvo elapso spatio, spiritum exhalavit. 
    4 Volutabatur per humum pater infelix et sanctum Dei Franciscum invocare non cessans, cum lacrimis exclamabat: 
    5 ”Ego sum, qui peccavi (cfr. 2Re 24,17), ego, qui inique locutus sum; me in persona propria flagellare debuisti. 
    6 Redde, Sancte, iam poenitenti quod abstulisti impie blasphemanti! 
    7 Tibi me reddo, tuis me obsequiis semper expono; nam et devotum sacrificium laudis (cfr. Ps 49,14) pro tui honore nominis semper offeram Christo”. 
    8 Mira res! Ad haec verba surrexit puer, et planctum prohibens, se morientem, eductum de corpore, per beatum Franciscum deductum asseruit et reductum.

    TEXTO TRADUZIDO

    Legenda Maior - Milagres II,3

    3 
    1 Certa vez, os frades de Nocera, pediram uma carroça a um homem chamado Pedro, pois precisavam dela por um certo tempo. Mas ele respondeu-lhes estupidamente, soltando um insulto no lugar do favor pedido e em vez da esmola pedida em honra de São Francisco, disse uma blasfêmia contra o seu nome. 
    2 Mas o homem se arrependeu na mesma hora de sua burrice, pois caiu sobre ele o pavor divino, se por acaso não viesse uma vingança do Senhor, como veio, e foi logo. 
    3 Pois logo em seguida seu primogênito ficou doente e, pouco tempo depois, exalou o espírito. 
    4 O infeliz pai rolava pelo chão, sem deixar de invocar Francisco, o santo de Deus, e exclamava com lágrimas:
    5 “Fui eu que pequei, fui eu que falei mal, devias flagelar a mim, em pessoa. 
    6 Devolve, Santo, ao que já está penitente, o que tiraste quando estava blasfemando impiamente! 
    7 Eu me entrego a ti, ponho-me sempre a teu serviço; pois vou oferecer sempre a Cristo um devoto sacrifício de louvor em honra do teu nome”. 
    8 Que coisa admirável! Ditas essas palavras, o menino levantou-se, proibiu que chorassem e afirmou que tinha sido tirado do corpo, levado e trazido de volta por São Francisco.