LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Legenda Maior - Miraculis VII,7a

    7a Additio posterior. 
    1 Quidam pro furti calumnia caecatus fuit rigore saecularis iustitiae apud Assisium, Othone milite per ministros publicos sententiam Octaviani iudicis de eruendis accusato oculis exsequente. 
    2 Qui taliter deformatus, effossis oculis, praecisis nervis opticis etiam cum cultello, ductus ad altare beati Francisci, implorata ipsius Sancti clementia, et sua in praedicti criminis impositione innocentia allegata, Sancti ipsius merito infra triduum novos recepit oculos, minores quidem illis quibus orbatus fuerat, sed non minus limpide visus officium exercentes. 
    3 Huius autem stupendi miraculi testis fuit praenominatus miles Otho, iuramento ad hoc adstrictus, coram domino Iacobo abbate Sancti Clementis, auctoritate domini Iacobi episcopi Tiburtini de ipso miraculo inquirente. 
    4 Testis etiam exstitit eiusdem miraculi frater Guilielmus Romanus a fratre Hieronymo, generali Ministro Ordinis Fratrum Minorum, ad veritatem dicendam, quem circa hoc noverat, praecepto et excommunicationis sententia obligatus.
    5 Qui taliter adstrictus coram pluribus Ministris provincialibus eiusdem Ordinis et aliis magni meriti fratribus affirmavit, se dudum, adhuc saecularem exsistentem, vidisse eum habentem oculos et postmodum actu excaecationis injuriam patientem, ac se excaecati oculos in terram proiectos curiose cum baculo revolvisse, et postmodum virtute divina eumdem, novae lucis receptis oculis, videntem clarissime conspexisse.

    TEXTO TRADUZIDO

    Legenda Maior - Milagres VII,7a

    7a Acréscimo posterior. 
    1 Em Assis, um homem, caluniado de furto, foi cegado pelo rigor secular da justiça. O cavaleiro Otão executou por ministros públicos a sentença do juiz Otaviano: arrancar os olhos do acusado. 
    2 Ele, assim deformado, com os olhos retirados, tendo os nervos óticos cortados com uma faca, foi levado ao altar do bem-aventurado Francisco, onde, depois de ter implorado a clemência do santo e alegado a sua inocência na imposição do referido crime, pelo mérito do santo dentro de três dias recebeu novos olhos, menores dos que tinha perdido mas não exercendo menos limpidamente a capacidade de ver. 
    3 Foi testemunha do estupendo milagre o próprio cavaleiro Otão, que prestou juramento a respeito diante do senhor Jacó, abade de São Clemente, por autoridade de dom Tiago, bispo de Tívoli, que estava investigando sobre esse milagre. 
    4 Foi testemunha do mesmo milagre também Frei Guilherme Romano, obrigado pelo ministro geral da Ordem dos Frades Menores, Frei Jerônimo, a dizer verdade do que sabia a respeito, por preceito e sentença de excomunhão. 
    5 Ele, dessa forma obrigado, afirmou diante de muitos ministros provinciais da mesma Ordem e outros frades de grande mérito que, quando ainda era secular, viu o homem tendo olhos, viu quando sofreu a injúria do cegamento, que curiosamente mexeu no chão com um pau nos olhos do homem cegado, e depois viu como ele estava vendo clarissimamente com os olhos recebidos por virtude divina.