LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

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  • São Boaventura
  • Legenda Maior

TEXTO ORIGINAL

Legenda Maior - Miraculis IX,1

IX - De non servantibus festum et inhonorantibus Sanctum. 

1 
1 In Pictaviae partibus, in villa quae Symo dicitur, sacerdos quidam, Reginaldus nomine, beato Francisco devotus, festum ipsius parochianis suis indixerat solemniter celebrandum. 
2 Unus autem de populo, ignorans Sancti virtutem, sui parvipendit sacerdotis mandatum. 
3 Egressus autem foras (cfr. Luc 22,62) in agrum, ut ligna succideret, cum se praeparasset ad opus, vocem audivit huiusmodi ter dicentem (cfr. Act 9,4):” Festum est; operari non licet”. 
4 Verum, cum nec imperio sacerdotis nec supernae vocis oraculo servilis temeritas frenaretur, addidit divina virtus ad gloriam Sancti sui sine mora miraculum et flagellum. 
5 Mox enim, ut furcam una manu iam tenens, alteram cum ferreo instrumento levavit ad opus, sic divina virtute utraque manus utrique instrumento cohaesit, ut ad neutrius dimissionem digitos aliquatenus relaxare valeret. 
6 Ex quo stupefactus nimis, et quid ageret nesciens, ad ecclesiam multis undique ad videndum prodigium concurrentibus, properavit. 
7 Ubi mente compunctus ante altare, quodam ex assistentibus sacerdote monente - plures quippe ad festum vocati convenerant sacerdotes — beato Francisco humiliter se devovit, tria, sicut ter vocem audierat, vota vovens (cfr. 1Re 1,11), quod scilicet festum ipsius coleret, quod ad illam in qua tunc erat ecclesiam in festo veniret et quod Sancti corpus personaliter visitaret. 
8 Mirum certe relatu! Uno emisso voto, unus de digitis factus est liber, ad secundi emissionem solutus est alius, sed tertio facto voto, laxatus est tertius et postmodum tota manus nec non et altera subsequenter, populo, qui iam multus advenerat, Sancti clementiam devotissime implorante. 
9 Sic homo pristinae redditus libertati, per se ipsum instrumenta deposuit, cunctis laudantibus Deum (cfr. Luc 2,13) virtutemque Sancti mirificam, qui tam mirabiliter percutere poterat et sanare. 
10 Ipsa vero instrumenta usque hodie coram altari, ad honorem beati Francisci fabricato ibidem, in memoriam facti dependent. 
11 Plura quoque illic et in locis vicinis patrata miracula et Sanctum in caelis ostendunt eximium et festum ipsius in terris venerabiliter excolendum.

TEXTO TRADUZIDO

Legenda Maior - Milagres IX,1

IX – Dos que não observam as festas e dos que desonram o santo. 

1 
1 Na vila de Le Simon, na região de Poitiers, um sacerdote, chamado Reginaldo, devoto do bem-aventurado Francisco, tinha ordenado a seus paroquianos que a festa do santo devia ser celebrada solenemente. 
2 Mas um do povo, ignorando a virtude do santo, desprezou a ordem do sacerdote. 
3 Saiu fora para o campo para cortar lenha mas, quando estava se preparando para fazê-lo, ouviu uma voz que lhe disse três vezes: “Hoje é festa; não é lícito trabalhar!”. 
4 Mas, como nada adiantaram a ordem do sacerdote e o oráculo da voz superna, a virtude divina, para glória do seu santo, acrescentou sem demora um milagre e um flagelo. 
5 Pois, como ele estava segurando um forcado em uma mão e levantou a outra com o instrumento de ferro para fazer o trabalho, por virtude divina as duas mãos grudaram de tal forma nos dois instrumentos que não conseguia soltar nem um pouco os dedos. 
6 Muito assustado por isso, e sem saber o que fazer, correu para a igreja, onde muitas pessoas acorreram de toda parte para ver. 
7 Lá, compungido diante do altar, ouvindo a admoestação de um dos sacerdotes presentes – pois muitos sacerdotes, chamados, tinham vindo à festa – devotou-se humildemente ao bem-aventurado Francisco, fazendo três votos, como ouvira três vozes, que celebraria sua festa, que viria àquela igreja no dia da festa e que iria visitar pessoalmente o corpo do santo. 
8 É certamente uma coisa admirável para contar. Quando fez um voto, ficou com um dedo livre; quando fez o segundo, libertou-se o outro; mas quando fez o terceiro voto soltou-se o terceiro dedo e, depois, toda a mão, e depois também a outra, enquanto o povo, que tinha vindo em grande quantidade, implorava devotissimamemnte a clemência do santo. 
9 Assim o homem, devido à liberdade anterior, depôs por si mesmo os instrumentos, em quanto todos louvavam a Deus, a virtude maravilhosa do santo, que podia de modo tão admirável ferir e curar. 
10 Para recordação do fato, os instrumentos estão dependurados até hoje diante do altar, que foi ali construído em honra do bem-aventurado Francisco. 
11 Muitos milagres realizados ali e em lugares vizinhos mostram que o santo é glorioso no céu e que sua festa deve ser celebrada na terra.