LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

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  • São Boaventura
  • Legenda Maior

TEXTO ORIGINAL

Legenda Maior - Miraculis X,1

X - De quibusdam aliis miraculis diversimodi generis.

1 
1 In castro Galiani Valvensis dioecesis mulier erat quaedam, Maria nomine, quae Christo Iesu et sancto Francisco famulatu devoto subiecta, una dierum aestivo tempore exiit, ut manibus conquireret propriis necessarium victum. 
2 Cum igitur, fervente nimium aestu, sitis deficere coepisset ardoribus, omni privata beneficio poculi, pro eo quod in monte arido sola esset, quasi exanimis humi prostrata, patronum suum sanctum Franciscum invocabat pio mentis affectu. 
3 Dum autem perseveraret mulier in affectuosa et humili prece, labore, siti et aestu fatigata quam plurimum, paululum obdormivit. 
4 Et ecce, sanctus Franciscus adveniens et eam vocans ex nomine: ”Surge”, inquit, ”et bibe aquam, quae divino munere tibi ac pluribus exhibetur”. 
5 Ad huius vocis auditum surrexit mulier a somno, non modicum confortata, et accipiens filicem; quae iuxta se erat, radicitus evulsit a terra, effodiensque ligno parvulo circumquaque, viventem reperit aquam, quae cum primo videretur parvula stilla, subito divina virtute crevit in fontem (cfr. Est 10,6). 
6 Bibit itaque mulier et satiata oculos lavit, quos cum longa prius haberet aegritudine obumbratos, nova ex tunc sensit luce perfusos. 
7 Festinavit ad domum mulier, tam stupendum miraculum ad gloriam sancti Francisci denuntians universis. 
8 Concurrerunt undique multi ad miraculi famam, experientia magistra discentes mirabilem illius aquae virtutem, dum ad ipsius contactum, confessione praemissa, a variis morborum cladibus plurimi liberantur. 
9 Perseverat usque hodie fons ibi perspicuus, et in honorem beati Francisci ibidem oratorium est constructum.

TEXTO TRADUZIDO

Legenda Maior - Milagres X,1

X – Sobre alguns outros milagres de diversos tipos. 

1 
1 No castro de Gagliano, na diocese de Valva, havia uma mulher, chamada Maria, dedicada ao devoto serviço de Cristo Jesus e de São Francisco. Num dia de verão saiu para ganhar com as próprias mãos o necessário para viver. 
2 Como o calor estava fervendo demais, começou a desfalecer pelo ardor da sede, pois não tinha nada para beber e estava sozinha em um monte árido. Prostrada no chão e quase desmaiada, invocava seu patrono São Francisco com piedoso afeto da mente. 
3 A mulher continuou a fazer sua prece afetuosa e humilde mas, muito cansada pelo trabalho, pelo calor e pela sede, dormiu um pouquinho. 
4 E eis que São Francisco chegou e a chamou pelo nome, dizendo: Levanta-te e toma a água que, por bondade de Deus, é dada a ti e a muitos”. 
5 Ouvindo essa voz, a mulher levantou-se do sono, não pouco confortada e pegando uma foice que estava perto dela, arrancou-a da terra pela raiz. Cavando, depois, ao redor com um pauzinho, encontrou água viva, que no começo parecia uma pequena gota mas, de repente, pela virtude divina, transformou-se numa fonte. 
6 A mulher bebeu e, quando ficou saciada, lavou os olhos, que antes tinha obscurecidos por longa doença, e então sentiu iluminados por uma nova luz. 
7 Ela foi correndo para casa, contando a todo mundo tão estupendo milagre, para a glória de São Francisco.
8 Com a fama do milagre, muita gente correu para lá, e a experiência lhes ensinou a admirável virtude daquela água, pois muitos foram libertados de vários problemas de doenças quando, depois de ter confessado, tocaram na água. 
9 A fonte ainda pode ser vista até hoje, e foi construído nesse lugar um oratório em honra de São Francisco.