LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Legenda Maior - Miraculis X,5a

    5a 
    Additio posterior. 
    l Apud Segusiam iuvenis quidam de Riparolio, Ubertinus nomine, Ordinem Fratrum Minorum ingressus, novitiatus sui tempore, horridi cuiusdam perturbatione pavoris incurrit amentiam totiusque dextrae partis paralysis morbo gravissimo auditum et linguam cum motu amisit et sensu. 
    2 Cum autem sic miserabilis, non sine fratrum multa moestitia, per plures dies in lectulo decubasset, beati Francisci solemnitas supervenit, in cuius vigilia, concesso sibi aliquo lucido intervallo, pium patrem, licet voci informi, corde tamen fideli, prout poterat invocabat. 
    3 Hora vero matutinali fratribus omnibus in ecclesia laudibus divinis intentis, ecce beatus pater, habitu fratrum indutus, in infirmariae loco praefato novitio adstitit, 
    4 lumenque non modicum in habitaculo illo refulsit (cfr. Act 12,7). 
    5 Et extensam manum super dextrum illius latus, a capite usque ad pedes suaviter contingendo deducens, digitos in auriculas misit (cfr. Mar 7,33), quodamque in dextro humero impresso charactere: 
    6 ”Hoc tibi”, ait, ”signum erit, quod Deus per me, cuius exemplo ductus religionetn intrasti, plene te restituit sanitati”;
    7 chordaque illum succingens, quia sine chorda iacebat, dixit ad eum: ”Surgens, ecclesiam intra, ut laudes Deo debitas cum fratribus devotus exsolvas!” 
    8 Quibus dictis, cum puer ipsum manibus vellet contingere et pedum eius osculari vestigia, ut gratias ageret, ab eius adspectu beatus pater abscessit. 
    9 Et iuvenis, recuperata sanitate corporis cum rationis industria, vivacitate sensuum et loquela, ecclesiam ingressus, cum multa fratrum et saecularium admiratione, qui tunc aderant et iuvenem paralyticum viderant et amentem, laudibus divinis interfuit et per ordinem narrato miraculo, multos ad Christi et beati Francisci devotionem accendit.

    TEXTO TRADUZIDO

    Legenda Maior - Milagres X,5a

    5a 
    Acréscimo posterior. 
    l Em Susa, um jovem de Rivarollo, chamado Hubertino, tendo ingressado na Ordem dos Frades Menores, durante o tempo de seu noviciado, por causa de um grande susto, ficou enlouquecido, com toda a parte direita paralisada por uma doença gravíssima, tendo perdido o ouvido e também o sentido e o movimento da língua. 
    2 Tendo o coitado passado assim muitos dias na cama, com muita tristeza dos frades, chegou a solenidade do bem-aventurado Francisco, em cuja vigília, tendo-lhe sido concedido um intervalo de lucidez, invocava o piedoso pai como podia, com a voz incerta mas com o coração fiel. 
    3 De manhã, quando todos os frades estavam na igreja ocupados com os louvores divinos, eis que o bem-aventurado pai, vestido com o hábito dos frades, foi visitar o noviço na enfermaria. 
    4 Brilhou não pequena luz naquele quartinho. 
    5 E estendendo a mão sobre o seu lado direito, foi tocando suavemente desde a cabeça até os pés, colocou os dedos nos seus ouvidos e lhe deixou um sinal particular no ombro direito, dizendo: 
    6 “Isto será para ti um sinal de que Deus te restituiu plenamente a saúde, servindo-se de mim, por cujo exemplo entraste na religião”. 
    7 Cingindo-o com um cordão, pois estava deitado sem cordão, disse-lhe: “Levanta-te, entra na igreja e reza com os frades os louvores a Deus devidos!”. 
    8 Dito isso, como o jovem quisesse pegar suas mãos e beijar os vestígios de seus pés, para agradecer, o bem-aventurado pai desapareceu de sua visão. 
    9 E o moço, tendo recuperado a saúde do corpo com o uso da razão, a vivacidade dos sentidos e a fala, entrou na igreja, com muita admiração dos frades e dos seculares, que então estavam presentes, e tinham-no visto paralítico e demente. Tomou parte nos louvores divinos e, contando em ordem todo o milagre, inflamou muitos na devoção a Cristo e ao bem-aventurado Francisco.