LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

  • Fontes Franciscanas
  • Fontes Biográficas
  • Tomás de Celano
  • Segunda Vida (2Cel)

TEXTO ORIGINAL

Secunda Vita (2Cel) - 152

Caput CXII - Quomodo verum obedientem descripsit, et de tribus obedientiis.

152 
1 Alio tempore, sedens cum sociis, beatus Franciscus tale quoddam emisit suspirium: “Vix aliquis religiosus est in toto mundo, qui perfecte obediat praelato suo”. 
2 Permoti socii dixerunt ei: “Dic nobis, pater, quae sit perfecta et summa obedientia”. 
3 At ille, verum describens obedientem sub figura corporis mortui, respondit: “Tolle corpus exanime, et ubi placuerit pone. 
4 Videbis non repugnare motum, non murmurare situm, non reclamare dimissum. 
5 Quod si statuatur in cathedra, non alta sed ima respiciet; si collocetur in purpura, duplo pallescet. 
6 Hic”, inquit, “verus obediens est; cur moveatur non diiudicat, ubi locetur non curat, ut transmutetur non instat. 
7 Evectus ad officium, solitam tenet humilitatem; plus honoratus, plus reputat se indignum”. 
8 Alia vice de huiusmodi loquens, concessas post petitionem proprie licentias dixit, iniunctas vero, nec postulatas, sacras obedientias nominavit. 
9 Utramque bonam dicebat, sed aliam tutiorem. 
10 Summam vero in qua nihil haberet caro et sanguis (cfr. Mat 16,17), illam esse credebat qua ‘divina inspiratione inter infideles’ itur, sive ob proximorum lucrum, sive ob martyrii desiderium. 
11 Hanc vero petere multum Deo iudicabat acceptum (cfr. Phip 4,18).

TEXTO TRADUZIDO

Segunda Vida (2Cel) - 152

Capítulo 112 - Como descreveu o verdadeiro obediente, e sobre as três obediências.

152 
1 Noutra ocasião, sentado com seus companheiros, São Francisco suspirou: “É difícil encontrar no mundo inteiro um religioso que obedeça com perfeição a seu prelado”. 
2 Atingidos, os companheiros disseram: “Diz-nos, pai, qual é a maior e mais perfeita obediência?” 
3 E ele, fazendo uma comparação com um corpo morto, descreveu o verdadeiro obediente: “Pegai um cadáver exânime. Ponde-o onde quiserdes. 
4 Vereis que não se incomodará de ser movimentado, não se queixará do lugar, nem reclamará por o terem largado. 
5 Se for colocado numa cátedra, vai olhar para baixo, não para cima. Se for vestido de púrpura, vai ficar duas vezes mais pálido. 
6 Esse é o verdadeiro obediente: não fica pensando em por quê foi mudado, não se importa com o lugar onde o puseram, não fica pedindo para ser transferido. 
7 Se lhe dão um cargo, mantém a humildade costumeira. Quanto mais honrado, mais se acha indigno”. 
8 Uma outra vez, falando do mesmo assunto, disse que as licença dadas a pedido são verdadeiras licenças, mas a que for oferecida sem ter sido pedida é uma obediência sagrada. 
9 Que uma e outra eram boas, mas a segunda, mais garantida. 
10 Mas achava que a melhor de todas, em que nem havia nada de “carne e sangue”, era a obediência de ir “entre os infiéis por divina inspiração”, tanto para o proveito dos outros como pelo desejo do martírio. 
11 Achava que pedir essa obediência era coisa muito aceita por Deus.