LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

  • Fontes Franciscanas
  • Fontes Biográficas
  • Tomás de Celano
  • Segunda Vida (2Cel)

TEXTO ORIGINAL

Secunda Vita (2Cel) - 213

213 
1 Nam nocte quadam, cum propter infirmitatum suarum graves et diversas molestias plus solito lassaretur, coepit de intimo cordis compati sibi ipsi. 
2 Sed ne spiritus ille promptus (cfr. Mat 26,41) carni carnaliter consentiret in aliquo vel ad horam, patientiae scutum, orando ad Christum, servat immobile. 
3 Orans tandem sic positus in agone (cfr. Luc 22,43), promissionem aeternae vitae a Domino sub hac similitudine reportavit (cfr. Heb 10,36; Ioa 6,69): 
4 “Si tota terrae moles (cfr. Is 40,12) et machina mundi aurum esset sine pretio (cfr. Ps 43,13) pretiosum, et tibi pro iis quae pateris duris molestiis, omni dolore sublato, daretur in praemium thesaurus gloriae tantae, cui praedicti auri comparatio (cfr. Sap 7,9) nulla esset, vel etiam nominari non digna, nonne gauderes, libenter sustinens quae sustines ad momentum?”. 
5 “Gauderem utique”, ait sanctus, “et supra modum (cfr. 2Cor 4,17) gauderem”. 
6 “Exsulta igitur”, dixit illi Dominus, “quia regni mei est arrha infirmitas tua, et per patientiae meritum securus et certus (cfr. Sap 7,23) eiusdem regni haereditatem (cfr. Eph 5,5) exspecta!”. 
7 Sed quanta putas exsultatione gavisum hominem tam felici promissione beatum? 
8 Quanta non solum patientia, verum etiam caritate, illum credis corporis molestias amplexatum? 
9 Novit ipse modo perfecte, quia indicibile tunc dicere sibi fuit. 10 Retulit tamen sociis pauca, ut potuit. 
11 Laudes de creaturis tunc quasdam composuit, et eas utcumque ad Creatorem laudandum accendit.

TEXTO TRADUZIDO

Segunda Vida (2Cel) - 213

213 
1 Pois certa noite, atormentado mais que de costume por uma porção de sofrimentos graves de suas doenças, começou a ter no fundo do coração compaixão de si mesmo. 
2 Mas, para que o seu espírito pronto, não condescendesse carnalmente com a carne em coisa nenhuma por uma hora sequer, invocou a Cristo segurou firme o escudo da paciência. 
3 Orando, colocado afinal em agonia , recebeu do Senhor a promessa da vida eterna com esta comparação: 
4 “Se toda a mole da terra e o universo inteiro fossem de ouro sem preço e soubesses que, livre de toda dor, haverias de receber como prêmio por teus duros sofrimentos um tesouro tão glorioso que, comparado com ele, todo aquele ouro seria um nada e nem mereceria ser mencionado, não te sentirias feliz de suportá-los de boa vontade por mais alguns momentos?” 
5 O santo respondeu: “É claro que me alegraria, alegrar-me-ia acima da medida”. 
6 “Podes exultar, então”, disse-lhe o Senhor, “porque tua doença é uma garantia de meu reino e, pelos merecimentos da paciência, podes ter a segurança e a certeza que terás a herança desse reino!” 
7 Que alegria imensa terá sentido o homem feliz que recebeu essa promessa! 
8 Com quanta paciência, mas também com quanto amor, abraçou os sofrimentos do corpo! 
9 Agora ele sabe disso com perfeição, mas naquele tempo não foi capaz de contá-lo. 10 Mas disse alguma coisa aos irmãos, o que pôde. 
11 Nessa ocasião, compôs os Louvores das Criaturas, convidando-as a louvar sempre o Criador.