LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

  • Fontes Franciscanas
  • Fontes Biográficas
  • Tomás de Celano
  • Segunda Vida (2Cel)

TEXTO ORIGINAL

Secunda Vita (2Cel) - 217

Caput CLXIII - De morte eius et quid fecerit ante mortem.

217 
1 Cum itaque amarissime lacrimarentur fratres et inconsolabiliter deplorarent, iussit pater sanctus panem sibi afferri (cfr. Mat 14,17.18). Quem benedixit et fregit (cfr. Mat 26,26; Luc 24,30), et particulam unicuique ad manducandum porrexit. 
2 Codicem etiam Evangeliorum apportari praecipiens, Evangelium secundum Ioannem ab eo loco qui incipit: Ante diem festum Paschae (cfr. Ioa 13,1) etc, sibi legi poposcit. 
3 Recordabatur illius sacratissimae coenae, quam Dominus cum suis discipulis (cfr. Mat 26,20) ultimam celebravit. 
4 In illius enim veneranda memoria, ostendens quem ad fratres habebat amoris affectum, fecit hoc totum. 
5 Proinde paucos dies, qui usque ad transitum eius restabant, expendit in laudem, socios suos valde dilectos secum Christum laudare instituens. 
6 Ipse vero, prout potuit, in hunc psalmum erupit: Voce mea ad Dominum clamavi, voce mea ad Dominum deprecatus sum (Ps 141,2-8) etc. 
7 Invitabat etiam omnes creaturas ad laudem Dei (Luc 18,43), et per verba quaedam quae olim composuerat, ipse eas ad divinum hortabatur amorem. 
8 Nam et mortem ipsam, cunctis terribilem et exosam, hortabatur ad laudem, eique laetus occurrens (cfr. Iudc 19,3), ad suum invitabat hospitium: “Bene veniat”, inquit, “soror mea mors!”. 
9 Ad medicum autem: “Audacter, frater medice, proximam prognostica mortem, quae mihi erit ianua vitae!”. 
10 Ad fratres vero: “Cum me videritis ad extrema perduci, sicut me nudiustertius nudum vidistis, sic me super humum exponite, et per tam longum spatium iam defunctum sic iacere sinatis, quod unius milliari tractum suaviter quis perficere posset”. 
11 Venit igitur hora (cfr. Ioa 4,21), et cunctis in eum Christi completis mysteriis (cfr. Col 4,3), feliciter volavit ad Deum.

TEXTO TRADUZIDO

Segunda Vida (2Cel) - 217

Capítulo 163 - Sobre a sua morte e o que faz antes de morrer.

217 
1 Enquanto os frades choravam amargamente e se lamentavam inconsoláveis, o pai santo mandou trazer um pão. Abençoou-o, partiu-o e deu um pedacinho para cada um comer. 
2 Também mandou trazer um livro dos Evangelhos e pediu que lessem o Evangelho de São João a partir do trecho que começa: “Antes do dia da festa da Páscoa”, etc. 
3 Lembrava-se daquela sacratíssima ceia que foi a última celebrada pelo Senhor com seus discípulos. 
4 Fez tudo isso para celebrar sua lembrança, demonstrando todo o amor que tinha para com seus frades. 
5 Passou em ação de graças os poucos dias que ainda restavam até sua morte, ensinando seus filhos muito amados a louvar Cristo em sua companhia. 
6 Ele mesmo, quanto lhe permitiam suas forças, entoou o Salmo: “Lanço um grande brado ao Senhor, em alta voz imploro o Senhor” (Sl 141,2-8), etc. 
7 Convidou também todas as criaturas ao louvor de Deus e, usando uma composição que tinha feito em outros tempos, exortou-as ele mesmo ao amor de Deus. 
8 Chegou a exortar para o louvor até a própria morte, terrível e aborrecida para todos, e, correndo alegre ao seu encontro, convidou-a com hospitalidade: “Bem-vinda seja a minha irmã morte!” 
9 Ao médico disse: “Irmão médico, diga com coragem que minha morte está próxima, para mim ela é a porta da vida!” 
10 E aos frades: “Quando perceberdes que cheguei ao fim, do jeito que me vistes despido anteontem, assim me colocai no chão, e lá me deixai ficar mesmo depois de morto, pelo tempo que alguém levaria para caminhar sem pressa uma milha”. 
11 E assim chegou a hora. Tendo completado em si mesmo todos os mistérios de Cristo, voou feliz para Deus.