LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

  • Fontes Franciscanas
  • Fontes Biográficas
  • Tomás de Celano
  • Segunda Vida (2Cel)

TEXTO ORIGINAL

Secunda Vita (2Cel) - 6


1 Nam palatium speciosum sibi mox in visione ostenditur, in quo varios apparatus armorum et sponsam pulcherrimam cernit. 
2 Vocatur in somnis Franciscus ex nomine (cfr. Gen 6,14), et horum omnium promissione allicitur. 
3 Tentat itaque pro capessenda militia in Apuliam ire, et opulenter necessariis praeparatis, festinat gradum militaris honoris contingere. 
4 Carnalem interpretationem praeteritae visionis carnalis ei spiritus suggerebat, cum in thesauris sapientiae Dei (cfr. Col 2,2-3) longe lateret praeclarior. 
5 Dormientem siquidem, nocte quadam, quidam ipsum secundo per visionem alloquitur, et quo tendere velit sollicite perscrutatur. 
6 Cui cum suum enarasset propositum, et in Apuliam militaturum proficisci se diceret, interrogatus ab eodem solicite (cfr. Luc 7,4): quis sibi melius facere queat, servus an dominus? Franciscus: “Dominus”, inquit. 
7 Et ille: “Cur ergo servum pro domino quaeris?”. Et Franciscus: Quid me vis facere, Domine (cfr. Act 9,6)?”. 
8 Et Dominus ad eum: “Revertere”, ait, “ad terram nativitatis tuae (cfr. Gen 32,9), quia visionis tuae erit per me spiritualis impletio”. 
9 Revertitur absque mora, iam forma obedientiae factus (cfr. 1Pet 5,3), et propriam abdicans voluntatem, de Saulo Paulus efficitur. 
10 Prosternitur ille, et verbera dura verba dulcia gignunt; Franciscus vero arma carnalia in spiritualia vertit, et pro militari gloria divinum suscipit praesidatum. 
11 Stupentibus itaque multis laetitiam eius insolitam, dicebat se magnum principem affuturum.

TEXTO TRADUZIDO

Segunda Vida (2Cel) - 6


1 De fato, pouco depois, teve a visão de um esplêndido palácio, em que encontrou toda sorte de armas e uma noiva belíssima. 
2 No sonho, foi chamado pelo nome de Francisco e seduzido pela promessa de possuir todas aquelas coisas. 
3 Tentou, por isso, ir à Apúlia para entrar no exército e, tendo preparado com muita largueza tudo que era preciso, apressou-se para receber o grau da honra militar. 
4 Seu espírito carnal sugeria-lhe uma interpretação carnal da visão que tivera, quando nos tesouros da sabedoria de Deus ocultava-se algo muito mais preclaro. 
5 Foi assim que, uma noite, estando a dormir, alguém lhe falou pela segunda vez em sonhos, interessado em saber para onde estava indo. 
6 Contou-lhe seus planos e disse que ia combater na Apúlia, mas foi solicitamente interrogado por ele: - “Quem lhe pode ser mais útil: o senhor ou o servo?” - “O senhor”, respondeu Francisco. 
7 E ele: “Então, por que preferes o servo ao senhor?” - “Que queres que eu faça, Senhor (cfr. At 9,6)?” perguntou Francisco. 
8 E o Senhor: - “Volta para a terra em que nasceste (cfr. Gn 32,9), porque é espiritualmente que vou fazer cumprir a visão que tivestes”. 
9 Voltou imediatamente, já feito exemplo de obediência e, deixando de lado a própria vontade, passou de Saulo a Paulo. 
10 Paulo foi derrubado e os duros castigos produziram palavras doces; Francisco trocou as armas materiais pelas espirituais, e recebeu o comando de Deus no lugar da glória militar. 
11 Aos muitos que se admiravam de sua invulgar alegria, dizia que haveria de ser um grande príncipe.