LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Secunda Vita (2Cel) - 12

    Caput VII - De persecutione patris et fratris carnalis.

    12 
    1 Sed iam operibus pietatis (cfr. 1Tim 2,10) insistentem pater carnalis persequitur, et servitutem Christi insaniam iudicans, ubique ipsum maledictis dilaniat. 
    2 Advocat itaque servus Dei quemdam virum plebeium et simplicem satis, quem loco patris suscipiens, rogat ut cum pater eius maledicta congeminat, ipse sibi e contrario benedicat. 
    3 Propheticum sane verbum vertit in opus et factis ostendit quod signat ille sermone: Maledicent illi et tu benedices (cfr. Ps 108,28). 
    4 Resignat patri pecuniam, quam in opere dictae ecclesiae vir Dei (cfr. 3Re 13,1.5) expendisse voluerat, suadente hoc illi episcopo civitatis, viro utique valde pio, eo quod non liceret de male acquisitis aliquid in sacros usus expendere. 
    5 Audientibus autem, qui convenerant, multis (cfr. Act 10,27): “Amodo” inquit “dicam (cfr. Ioa 13,19) libere: Pater noster, qui es in caelis (Mat 6,9), non pater Petrus Bernardonis, cui non solum reddo ecce pecuniam, sed integra vestimenta resigno. Nudus igitur ad Dominum pergam”. 
    6 O liberalem animam viri, cui solum iam sufficit Christus! 
    7 Inventus est vir Dei (cfr. 1Re 2,27) cilicium tunc portare sub vestibus, virtutum exsistentia plus quam apparentia gaudens. 
    8 Frater eius carnalis more patris ipsum verbis venenatis insequitur. 
    9 Qui mane quodam, tempore hiemali, dum vilibus contectum panniculis cernit Franciscum orationi vacantem, frigore tremebundum, ait cuidam concivi suo ille perversus: “Dic Francisco, ut nummatam unam nunc tibi velit vendere de sudore”. 
    10 Quo vir Dei (cfr. 1Re 2,27) audito, exhilaratus nimis, subridendo respondit: “Revera ego hunc Domino meo carissime vendam”. 
    11 Nil verius, nam non solum centuplum sed etiam millesies plurimum in hac luce recepit, et in futuro non sibi tantum sed et multis vitam acquisivit aeternam (cfr. Mat 19,29).

    TEXTO TRADUZIDO

    Segunda Vida (2Cel) - 12

    Capítulo 7 - Sobre a perseguição do pai e do irmão carnal.

    12 
    1 Já entregue às obras de piedade, foi perseguido por seu pai que, julgando uma loucura seu serviço a Cristo, despedaçava-o por toda parte com maldições. 
    2 Por isso o servo de Deus tomou como pai um homem do povo, muito simples, e pediu que lhe desse a bênção cada vez que seu pai o amaldiçoasse. 
    3 Executou, assim, concretamente, demonstrando-o com fatos, o que foi dito pelo profeta: “Eles amaldiçoarão e tu abençoarás” (cfr. Sl 108,28). 
    4 Devolveu ao pai o dinheiro que, como homem de Deus, gostaria de ter gasto na reforma daquela igreja. Fez isso a conselho do bispo da cidade, homem muito piedoso, que lhe disse não ser lícito gastar em coisas sagradas bens mal adquiridos. 
    5 E disse, na frente de muitas pessoas que se tinham ajuntado: “Agora poderei dizer livremente: Pai nosso, que estais nos céus, e não pai Pedro de Bernardone, a quem devolvo tanto o dinheiro como a minha roupa toda. Irei nu para o Senhor”. 
    6 Ó homem de alma livre, para quem só Cristo já era suficiente! 
    7 Descobriu-se que o homem de Deus usava então um cilício embaixo da roupa, alegrando-se mais com a existência do que com a aparência das virtudes. 
    8 Seu irmão de sangue também o perseguia com palavras envenenadas, a exemplo do pai. 
    9 Numa manhã de inverno, vendo Francisco a orar coberto de trapos e tremendo de frio, disse com perversidade a um concidadão: “Pede a Francisco para te vender um tostão de suor”. 
    10 Ouvindo isso, o homem de Deus se alegrou muito e respondeu sorrindo: “De fato, vou vendê-lo muito caro ao meu Senhor”. 
    11 Nada mais verdadeiro, porque recebeu não só o cêntuplo mas também mil vezes mais neste mundo, e ainda ganhou, no mundo futuro, a vida eterna não só para si mas para muitos outros.