LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Secunda Vita (2Cel) - 17

    17 
    1 Mulier haec erat Franciscus multorum fecunditate natorum, non factorum mollitie; desertum: mundus, tempore illo incultus et sterilis doctrina virtutum; filiorum venusta et larga progenies: fratrum multiplex numerus et omni virtute decorus (cfr. 2Mac 3,26); 
    2 rex: Filius Dei, cui sancta paupertate consi-miles eadem forma respondent, qui nutritiva de mensa regis (cfr. Dan 1,8) omni vilitatis rubore contempto suscipiunt, cum, imitatione Christi contenti eleemosynisque viventes, per mundi opprobia futuros se beate agnoscant. 
    3 Miratur dominus papa propositam sibi parabolam (cfr. Mat 13,24), et indubitanter Christum locutum in homine (cfr. Act 23,9) recognoscit. 
    4 Recordatur visionis cuiusdam quam viderat diebus paucis ante transactis (cfr. Act 25,13), quam in hoc homine fore complendam, Spiritu Sancto docente (cfr. Luc 12,12), affirmat. 
    5 Viderat in somnis (cfr. Gen 28,12) Lateranensem basilicam fore proximam iam ruinae, quam quidam religiosus, homo modicus et despectus (cfr. Is 16,14; 53,3), proprio dorso submisso, ne caderet, sustentabat. 
    6 “Vere”, inquit, “hic ille est qui opere ac doctrina Christi sustentabit Ecclesiam”. 
    7 Inde dominus ille petitioni eius tam facile se inclinat; hinc, Dei devotione repletus, Christi famulum (cfr. Rom 1,1) speciali semper dilexit amore. 
    8 Proinde postulata cito concessit, et his plura adhuc devotus concedere repromisit. 
    9 Coepit exinde auctoritate sibi concessa virtutum semina spargere, civitates et castella circuiens (cfr. Mat 9,35) praedicare ferventius.

    TEXTO TRADUZIDO

    Segunda Vida (2Cel) - 17

    17 
    1 Essa mulher era Francisco, pela fecundidade de seus muitos filhos, não pela moleza de sua vida. O deserto era o mundo, então inculto por falta de doutrina e estéril em virtudes. A prole abundante e formosa era a multidão dos frades, rica de toda virtude. 
    2 O rei era o Filho de Deus, de quem se tornaram parecidos pela santa pobreza, em cuja abundante mesa real f foram alimentados por terem desprezado toda vergonha das coisas vis, pois estavam contentes com a imitação de Cristo e viviam de esmolas, sabendo que haveriam de conquistar a bem aventurança através dos desprezos do mundo. 
    3 O papa ficou admirado com a parábola que lhe foi proposta e reconheceu sem dúvidas que Cristo tinha falado no homem. 
    4 Lembrou-se de uma visão que tivera poucos dias antes e, iluminado pelo Espírito Santo, afirmou que haveria de cumprir-se naquele homem. 
    5 Tinha visto em sonhos k a basílica de Latrão prestes a ruir mas sendo sustentada por um religioso, homem pequeno e desprezível, que a sustentava com seu ombro para não cair. 
    6 E disse: “Na verdade este é o homem que, por sua obra e por sua doutrina, haverá de sustentar a Igreja”. 
    7 Foi por isso que aquele senhor acedeu tão facilmente ao seu pedido e, a partir daí, cheio de devoção de Deus, sempre teve especial predileção pelo servo de Cristo. 
    8 Concedeu-lhe imediatamente tudo que queria e prometeu que ainda haveria de fazer mais concessões. 
    9 Com a autoridade que lhe foi concedida, começou a lançar as sementes das virtudes e a percorrer as cidades e vilas pregando com fervor.