LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

  • Fontes Franciscanas
  • Fontes Biográficas
  • Tomás de Celano
  • Segunda Vida (2Cel)

TEXTO ORIGINAL

Secunda Vita (2Cel) - 44a

Quomodo fratrem Ricerium a tentatione liberavit.

44a 
1 Frater quidam ‘Ricerius’ nomine, tam moribus quam genere nobilis, in tantum de beati Francisci meritis praesumebat, ut divinam profecto mereri gratiam crederet, si quis ipsius sancti dono benevolentiae potiretur, aut si quis illa careret, Dei iracundiam mereretur. 
2 Cumque ad obtinendm familiaritatis illius beneficium vehementius aspiraret, timuit valde (cfr. Gen 32,7; Iudt 8,8) ne quid occulte in ipso vitii fore sanctus deprehenderet, cuius occasione se ab eius gratia magis elongari contingeret. 
3 Igitur timore huiusmodi iam dictum fratrem quotidie ac graviter affligente, nec illo cogitationem suam alicui revelante, contigit ipsum die quadam solito more turbatum ad cellam in qua beatus Franciscus orabat accedere. 
4 Cuius adventum simul et animum vir Dei (cfr. 1Re 2,27) cognoscens, ei benigne ad se vocato, sic ait: “Nullus te timor de caetero, nulla te, fili, conturbet tentatio, quoniam carissimus mihi es, et inter praecipue caros speciali charitate te diligo. 
5 Securus ad me, cum tibi placuerit, venias, et a me libere pro tua vo-luntate recedas”. 
6 Obstupuit non modicum et laetatus est ille frater in sermonibus sancti patris, et deinceps de ipsius dilectione securus, crevit etiam, sicut crediderat, in gratia Salvatoris (cfr. Tit 2,11).

TEXTO TRADUZIDO

Segunda Vida (2Cel) - 44a

Como libertou Frei Ricério de uma tentação.

44a 
1 Um frade chamado Ricério, tão nobre de coração como de nascimento, tinha tamanha confiança nos merecimentos de São Francisco, que achava que mereceria a graça de Deus aquele a quem São Francisco desse algum sinal de sua benevolência, mas que mereceria a ira de Deus quem não tivesse a sua amizade. 
2 Como tinha uma vontade enorme de merecer a amizade do santo, teve muito medo de que o pai descobrisse nele algum defeito ignorado, fazendo com que seu favor ainda ficasse mais distante. 
3 Por isso, quando frade já estava sendo afligido diária e gravemente por esse temor, sem nunca ter revelado seu pensamento a ninguém, aconteceu de passar por perto da cela em que São Francisco estava rezando. Estava perturbado como de costume. 
4 Percebendo tanto a sua chegada como seu estado de ânimo, o homem de Deus o chamou com bondade e lhe disse: “Não tenhas mais medo, filho, nem te perturbe nenhuma tentação, porque gosto muito de ti, e és mesmo um dos mais queridos, a quem tenho um amor especial. 
5 Aqui podes vir confiadamente quando quiseres, ou ir embora quando te parecer”. 
6 O frade se espantou bastante e ficou contente com as palavras do santo pai. A partir desse dia, seguro de sua amizade, cresceu também na graça do Salvador, conforme acreditara.