LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Secunda Vita (2Cel) - 46

    Caput XVII - Quomodo de petra orando aquam eduxit et sitienti rustico dedit.

    46 
    1 Volens quandoque beatus Franciscus ad quamdam eremum pergere, ut ibidem liberius contemplationi vacaret, quia debilis erat non modicum a quodam paupere viro ad equitandum obtinuit asinum. 
    2 Cumque diebus aestivis, virum Dei (cfr. 3Re 13,14.21) sequendo, montana conscenderet (cfr. Ios 2,16) rusticus asperioris et longioris viae itinere fatigatus (cfr. Ioa 4,6), antequam perveniret ad locum, ardore sitis deficit et lassatur. 
    3 Clamat post sanctum instanter, et ut sui misereatur (Deut 13,17) exorat; mori se asserit, nisi alicuius poculi beneficio recreetur. 
    4 Sanctus Dei (cfr. Luc 4,34), qui afflictis semper erat compatiens, absque mora prosilivit de asino, et fixis in terra genibus, palmas tetendit ad caelum, orare non cessans (Cfr. Col 1,9), donec se sensit auditum. 
    5 “Festina”, inquit ad rusticum, “et illic aquam vivam invenies, quam tibi hac hora misericorditer Christus de lapide bibendam produxit”. 
    6 Stupenda Dei dignatio, quae servis suis tam facile se inclinat! 
    7 Bibit rusticus aquam de petra (cfr. 48,21) orantis virtute, et poculum hausit de saxo durissimo (cfr. Deut 32,13). 
    8 Aquae decursus (cfr. Ps 1,3) ibidem ante non fuit, nec, ut est diligenter quaesitum, deinceps potuit inveniri. 
    9 Quid mirum, si Sancto Spiritu plenus (cfr. Luc 4,1), iustorum omnium repraesentat in se gesta miranda? 
    10 Nam qui specialis gratiae munere Christo coniungitur, non magnum, si cum reliquis sanctis similia operatur.

    TEXTO TRADUZIDO

    Segunda Vida (2Cel) - 46

    Capítulo 17 - Como, rezando, tirou água de uma pedra e a deu a um aldeão com sede.

    46 
    1 Uma vez São Francisco quis ir a um certo eremitério para aí se entregar mais livremente à contemplação, mas estava não pouco enfraquecido e conseguiu com um homem pobre um jumento para montar. 
    2 Como eram dias de verão, seguindo o homem de Deus e subindo a montanha, o camponês, cansado daquela viagem numa longa e dura caminhada, começou a desfalecer pelo ardor da sede antes de chegarem ao lugar. 
    3 Gritou atrás do santo insistentemente e pediu que tivesse misericórdia dele: disse que ia morrer se não fosse reanimado com um pouquinho para beber. 
    4 O santo de Deus, que sempre tinha compaixão dos aflitos, desceu imediatamente do jumento, ajoelhou-se no chão, estendeu as mãos para o alto e não parou de rezar enquanto não sentiu que tinha sido atendido. Disse, então, ao camponês: 
    5 “Vai depressa, que ali mesmo encontrarás água para beber, produzida da pedra neste instante pela misericórdia de Cristo”. 
    6 Estupenda bondade de Deus, que tão facilmente se inclina aos rogos de seus servidores! 
    7 Um aldeão pôde beber a água da pedra pela virtude orante e tirou a bebida da rocha duríssima. 
    8 Nesse lugar nunca tinha havido um curso de água i, nem puderam encontrá-lo mais tarde, de acordo com uma escrupulosa pesquisa. 
    9 Por que admirar, se este homem, cheio do Espírito Santo, reproduz em si mesmo os feitos admiráveis de todos os justos? 
    10 Não nos devemos surpreender de que uma pessoa unida a Cristo por graças tão singulares realize prodígios iguais aos que foram operados pelos outros santos.