LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Secunda Vita (2Cel) - 47

    Caput XVIII - De aviculis ab ipso nutritis, quorum unus propter avaritiam mortem incurrit.

    47 
    1 Sedebat ad mensam cum fratribus die quadam beatus Franciscus; aviculae quaedam, mas et femina, veniunt et novorum educatione natorum sollicitae, de mensa sancti quotidie micas (cfr. Mat 15,27) pro voto suscipiunt. 
    2 Exsultat sanctus in talibus, blanditur illis, ut assolet, et de industria eis offert annonam. 
    3 Die quadam pater et mater filios offerunt fratribus, quasi eorum nutritos expensis, et assignantes pullulos fratribus, ultra non apparent in loco. 
    4 Mansuescunt pulli cum fratribus, et eorum manibus insidentes, non ut hospites sed ut accolae versantur in domo. 
    5 Saecularium hominum declinant aspectum, et fratrum tantum se profitentur alumnos. 
    6 Observat hoc sanctus et stupet, fratresque invitat ad gaudium: “Videte”, ait, “quid fratres nostri pectusrubei fecerint, quasi ratione vigerent? 
    7 Dixerunt enim: “Ecce, fratres, vobis nostros praesentamus natellos, qui vestris nutriti sunt micis. 
    8 Disponite de illis ut libet; ad alios nos lares transimus”. 
    9 Mansuescunt itaque ex toto cum fratribus et unanimiter capiunt cibum. 
    10 Sed avaritia rumpit concordiam, dum minores persequitur maioris elatio. 
    11 Saturatus namque maior pro libitu, reliquos repellit a cibo. 
    12 “Videte”, inquit pater, “quid hic facit avarus; plenus ipse ac satur, famelicis fratribus invidet. 
    13 Mala adhuc morte necabitur”. 
    14 Verbum sancti confestim ultio sequitur. 
    15 Super vasculum aquae fratrum turbator ascendit ut bibat, qui subito in aqua suffocatus interiit, nec gattus invenitur nec bestia quae ausa fuerit sancti anathema contingere. 
    16 Horrendum malum avaritia hominum, quando sic punitur in avibus.

    17 Timenda est et sanctorum sententia, quam tanta facilitate vindicta subsequitur.

    TEXTO TRADUZIDO

    Segunda Vida (2Cel) - 47

    Capítulo 18 - Dos passarinhos por ele alimentados, um dos quais sofreu a morte por avareza.

    47 
    1 Uma vez, São Francisco estava sentado à mesa com os frades quando chegou um casal de passarinhos que ia todos os dias buscar migalhas da mesa, cuidadosos da formação de seus filhotes. 
    2 O santo ficou todo contente com isso, fez-lhes carícias como era seu costume e tratou de juntar-lhes o sustento. 
    3 Certo dia, pai e mãe apresentaram os filhotes aos frades, como que para agradecer por os terem alimentado, entregaram-nos e não apareceram mais. 
    4 Os filhotes se acostumaram com os frades e andavam empoleirados em suas mãos, não como hóspedes mas como de casa. 
    5 Fugiam da presença dos seculares e só se apresentavam como discípulos dos frades. 
    6 O santo observou isso admirado e convidou os frades a se alegrarem. “Olhai, disse, o que fizeram nossos irmãos pintarroxos. Até parece que têm razão 
    7 e disseram: Irmãos, aqui vos apresentamos nossos filhotes, que alimentastes com as vossas migalhas. 
    8 Fazei deles o que quiserdes, que nós vamos para outro ninho”. 
    9 Assim os passarinhos se familiarizaram de uma vez com os frades, e todos tomavam a refeição em comum.
    10 Mas essa harmonia foi quebrada pela avareza, quando o orgulho do maior perseguiu os menores. 
    11 Pois o maior, saturado à vontade, afastava os outros da comida. 
    12 Disse o santo pai: “Vede o que está fazendo esse avarento. Mesmo cheio e empanturrado, tem inveja de seus esfomeados irmãozinhos. 
    13 Ele ainda vai ter uma má morte”. 
    14 A palavra do santo foi logo seguida pela vingança. 
    15 O perturbador de seus irmãos subiu ao vaso de água para beber, mas de repente se afogou na água e morreu. E não houve gato ou qualquer outro animal que quisesse comer o passarinho anatematizado pelo santo. 
    16 Horroroso mal é a avareza dos homens, quando é punido dessa maneira nos pássaros. 
    17 E também é para temer a condenação dos santos, uma vez que o castigo vaticinado vem com tanta facilidade