LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

  • Fontes Franciscanas
  • Fontes Biográficas
  • Tomás de Celano
  • Segunda Vida (2Cel)

TEXTO ORIGINAL

Secunda Vita (2Cel) - 52

Caput XXIII - De fame quam post mortem suam futuram praedixit.

52 
1 Sancti viri mira quaedam de se loqui Sancti Spiritus instinctu quandoque coguntur, cum videlicet aut gloria Dei exigit revelare sermonem (cfr. 1Re 3,7), aut in aedificationem proximi ordo postulat caritatis. 
2 Hinc est quod beatus pater die quadam fratri cuidam, quem plurimum diligebat (cfr. Ioa 19,20), retulit verbum istud (cfr. 1Mac 15,32) quod tunc de sibi familiari reportaverat secretario Maiestatis. 
3 “Hodie”, inquit, “est aliquis servus Dei super terram propter quem, donec vixerit ipse, non permittit Dominus famem super homines desaevire (cfr. Gen 26,1)”. 
4 Nihil vanitatis habuit, sed sancta relatio, quam in aedificationem nostram verbis sanctis, modestis, illa quae non quaerit quae sua sunt sancta caritas (cfr. Cfr. 1Cor 13,5) eructavit; nec erat tam mirae dilectionis praerogativa Christi ad servum suum inutili silentio subticenda. 
5 Scimus enim omnes qui vidimus (cfr. Ioa 3,11), quam quieta et pacifica, donec vixit Christi famulus, cucurrerint tempora, quanta exuberaverint omnium fertilitate bonorum. 
6 Non enim fames verbi Dei (cfr. Am 8,11), cum praedicantium verba tunc maxime fuerint plena virtute, cum auditorum corda cunctorum probabilia fuerint Deo (cfr. 2Tim 2,15). 
7 Exempla sanctitatis refulgebant in religiosa imagine, nec hypocrisis dealbatorum adhuc infecerat sanctos tantos, nec etiam doctrina se transfigurantium (cfr. 2Cor 11,13) curiositatem induxerat tantam. 
8 Merito proinde bona temporalia abundabant, cum sic aeterna forent vere omnibus in amore.

TEXTO TRADUZIDO

Segunda Vida (2Cel) - 52

Capítulo 23 - Da fome que predisse para depois de sua morte.

52 
1 Os santos às vezes são obrigados pela força do Espírito Santo a falar coisas maravilhosas a respeito de si mesmos: quando é a glória de Deus que exige revelar a palavra, ou há alguma exigência da caridade para edificação do próximo. 
2 Foi por essa razão que, um dia, o santo pai a um frade a quem tinha grande estima contou esta palavra que tirara então de seu segredo familiar com a Majestade: 
3 “Em nossos dias, existe na terra um servo de Deus, por quem o Senhor não vai permitir que a fome se abata sobre a humanidade enquanto ele viver”. 
4 Não tinha vaidade nenhuma, mas expressou o santo relacionamento, para nossa edificação em palavras santas e modestas, aquela santa caridade que não busca o que é seu. E nem devia mesmo esconder com um silêncio inútil tão admirável prerrogativa da predileção de Cristo para com seu servo. 
5 Todos os que vimos sabemos como foram calmos e pacíficos os tempos enquanto o santo viveu, e como transbordaram na fertilidade de todos os bens. 
6 Não havia fome da palavra de Deus, porque as palavras dos pregadores eram então cheias de maior virtude, e os corações de todos os ouvintes eram mais aprováveis por Deus. 
7 Refulgiam os exemplos de santidade na figura dos religiosos, a hipocrisia dos “caiados” ainda não tinha atacado tantos santos, e a doutrina dos “transfigurados” ainda não tinha despertado tanta curiosidade. 
8 Era justo que houvesse abundância dos bens temporais quando todos tinham tanto amor pelos bens eternos.