LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Secunda Vita (2Cel) - 54

    Caput XXIV - De claritate sancti e ignorantia nostra.

    54 
    1 Extraneum videri nemini debet, si propheta nostri temporis talibus privilegiis enitebat; nimirum terrenarum caligine rerum solutus, carnisque voluptati non subditus, liber volabat intellectus ad summa, purus ingrediebatur in lucem. 
    2 Sic lucis aeternae (cfr. Sap 7,26) irradiatus fulgoribus a Verbo trahebat quod resonabat in verbis. 
    3 Heu! quantum hodie dissimiles sumus, qui tenebris involuti (cfr. Iob 37,19), etiam necessaria ignoramus! 
    4 Qua credis ex causa, nisi quia carnis amici ipsi quoque inserimur pulveri mundanorum? 
    5 Nempe si corda nostra cum manibus levaremus in caelum (cfr. Lam 3,41), si eligeremus suspendium in aeterna, sciremus forsitan quae nescimus: Deum et nos.
    6 In caeno versantem caenum videre necesse est; caelo oculum inhaerentem impossibile est caelestia non videre.

    TEXTO TRADUZIDO

    Segunda Vida (2Cel) - 54

    Capítulo 24 - Sobre a clareza do santo e a nossa ignorância.

    54 
    1 Ninguém deve estranhar que o profeta de nosso tempo gozasse de tais privilégios. Pois livre da escuridão das coisas terrenas, não submisso aos desejos da carne, sua inteligência voava livre para as alturas mais sublimes e penetrava na luz com pureza. 
    2 Iluminado pelos resplendores da luz eterna a, tirava da Palavra eterna o que ressoava em suas palavras. 
    3 Ai, como somos diferentes hoje! Envolvidos nas trevas, ignoramos até o necessário! 
    4 Por que motivo, crês, a não ser porque somos amigos da cerne e nos metemos no pó dos mundanos? 
    5 Se elevássemos nossos corações para os céus junto com as mãos, se escolhêssemos suspender-nos nas coisas eternas, provavelmente ficaríamos sabendo o que ignoramos: Deus e nós mesmos. 
    6 Quem se revira na lama tem que ver lama; quem puser os olhos no céu não poderá deixar de ver as coisas celestiais.