LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Secunda Vita (2Cel) - 64

    Caput XXXIV - Quid ei accidit nocte quadam pro plumeo pulvinari.

    64 
    1 Quoniam de lectis fecimus mentionem, occurrit aliud quiddam fortasse utile recitatu. 
    2 A tempore quo sanctus iste conversus ad Christum (cfr. Act 11,21) oblivioni tradidit (cfr. Lam 2,6) quae sunt mundi (cfr. 1Cor 7,33), noluit iacere in culcitra, nec ad caput habere de penna pulvinar. 
    3 Huius vero districtionis repagulum nec infirmitas, nec forense hospitium infringebat. 
    4 Contigit autem in eremo Graecii, oculorum infirmitate plus solito praegravatum, cogi contra velle ad usum modici pulvinaris. 
    5 Primae igitur noctis vigilia matutina vocat sanctus socium et dicit illi: “Non potui, frater, hac nocte dormire, nec ad orationem erectus persistere. 
    6 Tremit caput, genua collabuntur, et tota concutitur machina corporalis, uti comedissem panem de lolio. 
    7 Credo”, inquit, “quod diabolus maneat in hoc pulvinari, quod ad caput habeo. 
    8 Tolle illud, quia diabolum ad caput ulterius nolo”. 
    9 Querulo murmure patri compatitur frater, et proiectum ad se pulvinar accipit ut asportet. 
    10 Exiens itaque, subito loquelam amittit, et tanto horrore premitur ac ligatur, quod nec pedes de loco movere, nec brachia quoquam ducere praevalet. 
    11 Post modicum, a sancto qui hoc cognovit, vocatus, liber efficitur, redit et narrat quae passus est (cfr. Heb 5,8). 
    12 Cui dixit sanctus: “In sero, cum dicerem completorium, liquido cognovi diabolum venire ad cellam”. 
    13 Et rursus: “Multum astutus et subtilis ingenii noster est inimicus, qui cum intus in anima nocere non possit, saltem corpori praestat materiam murmurandi”. 
    14 Audiant qui pulvillos sub omni latere (cfr. Ez 13,18) praeparant, ut quocumque cadant excipiantur in mollibus. 
    15 Libenter sequitur opulentiam rerum diabolus, lectis pretiosis gaudet assistere, praesertim ubi necessitas non cogit et professio contradicit. 
    16 Nec minus antiquus serpens (cfr. Apoc 12,9) nudum hominem fugit, sive spernens contubernium pauperis, sive pa-vens altitudinem paupertatis. 
    17 Si attendat frater plumis subesse diabolum, contentum erit palea caput suum.

    TEXTO TRADUZIDO

    Segunda Vida (2Cel) - 64

    Capítulo 34 - O que lhe aconteceu numa noite ao usar um travesseiro de penas.

    64 
    1 Por falar em camas, lembro-me de um outro fato que talvez seja bom contar. 
    2 Desde o tempo em que o santo se converteu para Cristo e tratou de esquecer o que é do mundo, não quis mais deitar sobre um colchão ou pôr a cabeça num travesseiro de penas. 
    3 E não quebrava essa resolução nem quando estava doente ou hospedado em casa de outros. 
    4 Mas aconteceu que, no eremitério de Grécio, quando sua doença dos olhos se agravou, foi obrigado contra sua vontade a usar um pequeno travesseiro. 
    5 Quando amanheceu a primeira noite, chamou seu companheiro e disse: “Irmão, não pude dormir nesta noite, nem ficar em pé para rezar. 
    6 A cabeça tremia, os joelhos cediam, e o corpo se sacudia todo, como se tivesse comido pão de joio. 7 Acho que o diabo está nesse travesseiro em que pus a cabeça. 
    8 Leva-o, que não quero mais saber de diabo na cabeça”. 
    9 O frade se compadeceu da queixosa lamúria do pai, pegou o travesseiro que lhe foi jogado para levar embora. 
    10 Ao sair, perde a fala de repente, e se sentiu tão oprimido e preso por tamanho horror, que nem podia mover os pés do lugar nem mexer os braços de lado algum. 
    11 Depois de algum tempo, quando o santo ficou sabendo disso, mandou chamá-lo. Então ficou livre, voltou e contou o que tinha sofrido. 
    12 Disse-lhe o santo: “‘A tarde, quando estava rezando Completas, tive certeza de que o diabo vinha para a minha cela”. 
    13 E acrescentou: “É muito esperto e matreiro o nosso inimigo. Quando não pode fazer o mal dentro da alma, faz com que o corpo tenha oportunidade de murmurar”. 
    14 Ouçam-no os que espalham almofadas por todos os lados, para caírem sempre no mole. 
    15 O diabo segue o luxo de boa vontade, gosta de estar ao lado das camas muito cômodas, principalmente quando não há necessidade e quando são contrárias à vida que se professou. 
    16 Mas a antiga serpente foge com horror do homem despojado, ou porque detesta a companhia dos pobres, ou porque tem medo da grandiosidade da pobreza. 
    17 Se o frade se convencer de que o diabo está embaixo das penas, ficará contente com palha para a cabeça.