LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Secunda Vita (2Cel) - 66

    Caput XXXVI - Vindicta fratris qui pecuniam quandoque collegit.

    66 
    1 Pergentes quandoque insimul duo fratres cuidam hospitali leprosorum approximant. 
    2 Reperiunt in via denarium, gressum figunt, disceptant quid de stercore sit agendum. 
    3 Tentat unus eorum, ridens conscientiam fratris, denarium tollere, leprosis pecuniae famulis offerendum.
    4 Prohibet eum socius ut falsa pietate deceptum, inculcans temerario verbum regulae, quo satis elucet velut pulverem inventum denarium conculcari debere. 
    5 Indurat ille mentem ad monita, nam semper ex more durae cervicis (cfr. Ex 32,9) fuit. 
    6 Spernit regulam, inclinatur et accipit nummum; sed divinum non evadit iudicium. 
    7 Perdit extemplo loquelam, frendet dentibus (cfr. Ps 34,16), loqui non praevalet. 
    8 Sic poena prodit insanum, sic ultio docet patris legibus obtemperare superbum. 
    9 Tandem foetore proiecto, polluta labia (cfr. Is 6,5) aquis poenitentiae lota solvuntur in laudem. 
    10 Vetus proverbium est: Corrige stultum et erit amicus.

    TEXTO TRADUZIDO

    Segunda Vida (2Cel) - 66

    Capítulo 36 - Castigo de um irmão que uma vez apanhou dinheiro.

    66 
    1 Certa vez dois frades viajavam e chegaram perto de um hospital de leprosos. 
    2 No caminho, encontraram uma moeda, pararam e ficaram discutindo sobre o que deviam fazer com aquele esterco. 
    3 Um deles, rindo-se dos escrúpulos do confrade, tentou pegar o dinheiro para levá-lo aos enfermeiros dos leprosos. 
    4 O companheiro proibiu-o de ser enganado por uma falsa piedade, desprezando temerariamente o preceito da Regra, que dizia muito claramente que dinheiro achado deve ser pisado como pó. 
    5 Mas o outro endureceu a mente diante das admoestações, porque sempre tinha sido de cabeça dura. 
    6 Desprezou a Regra, abaixou-se e apanhou a moeda. Mas não escapou ao julgamento divino. 
    7 Perdeu a fala na hora, rangia os dentes e não podia se comunicar. 
    8 Dessa maneira, o castigo fez bem para o louco, e a punição ensinou o soberbo a obedecer às leis do pai. 
    9 Finalmente, jogou fora aquele fedor, e seus lábios poluídos, lavados na água da penitência prorromperam em louvores. 
    10 É velho o ditado: “Corrige o néscio e terás um amigo”.