LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

  • Fontes Franciscanas
  • Fontes Biográficas
  • Tomás de Celano
  • Segunda Vida (2Cel)

TEXTO ORIGINAL

Secunda Vita (2Cel) - 66

Caput XXXVI - Vindicta fratris qui pecuniam quandoque collegit.

66 
1 Pergentes quandoque insimul duo fratres cuidam hospitali leprosorum approximant. 
2 Reperiunt in via denarium, gressum figunt, disceptant quid de stercore sit agendum. 
3 Tentat unus eorum, ridens conscientiam fratris, denarium tollere, leprosis pecuniae famulis offerendum.
4 Prohibet eum socius ut falsa pietate deceptum, inculcans temerario verbum regulae, quo satis elucet velut pulverem inventum denarium conculcari debere. 
5 Indurat ille mentem ad monita, nam semper ex more durae cervicis (cfr. Ex 32,9) fuit. 
6 Spernit regulam, inclinatur et accipit nummum; sed divinum non evadit iudicium. 
7 Perdit extemplo loquelam, frendet dentibus (cfr. Ps 34,16), loqui non praevalet. 
8 Sic poena prodit insanum, sic ultio docet patris legibus obtemperare superbum. 
9 Tandem foetore proiecto, polluta labia (cfr. Is 6,5) aquis poenitentiae lota solvuntur in laudem. 
10 Vetus proverbium est: Corrige stultum et erit amicus.

TEXTO TRADUZIDO

Segunda Vida (2Cel) - 66

Capítulo 36 - Castigo de um irmão que uma vez apanhou dinheiro.

66 
1 Certa vez dois frades viajavam e chegaram perto de um hospital de leprosos. 
2 No caminho, encontraram uma moeda, pararam e ficaram discutindo sobre o que deviam fazer com aquele esterco. 
3 Um deles, rindo-se dos escrúpulos do confrade, tentou pegar o dinheiro para levá-lo aos enfermeiros dos leprosos. 
4 O companheiro proibiu-o de ser enganado por uma falsa piedade, desprezando temerariamente o preceito da Regra, que dizia muito claramente que dinheiro achado deve ser pisado como pó. 
5 Mas o outro endureceu a mente diante das admoestações, porque sempre tinha sido de cabeça dura. 
6 Desprezou a Regra, abaixou-se e apanhou a moeda. Mas não escapou ao julgamento divino. 
7 Perdeu a fala na hora, rangia os dentes e não podia se comunicar. 
8 Dessa maneira, o castigo fez bem para o louco, e a punição ensinou o soberbo a obedecer às leis do pai. 
9 Finalmente, jogou fora aquele fedor, e seus lábios poluídos, lavados na água da penitência prorromperam em louvores. 
10 É velho o ditado: “Corrige o néscio e terás um amigo”.