LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Secunda Vita (2Cel) - 86

    Caput LIII - De mantello vetulae dato apud Celanum.

    86 
    1 Accidit apud Celanum tempore hiemali ut sanctus Franciscus pannum in modum mantelli haberet plicatum, quem Tiburtinus quidam, fratrum amicus, commodaverat ei. 
    2 Et cum esset in palatio episcopi Marsicani, occurrit ei vetula quaedam eleemosynam petens (cfr. Act 3,2). 
    3 Confestim pannum solvit a collo et, licet alienum, vetulae pauperi donat dicens: “Vade, fac tibi tunicam, quoniam satis eges”. 
    4 Arridet vetula et stupefacta, nescio timore an gaudio, pannum sumit e manibus. 
    5 Currit velocius, et ne mora periculum repetitionis trahat, forficibus scindit. 
    6 Cum autem inveniret praecisum pannum non sufficere tunicae, primam benignitatem experta, redit ad sanctum, indicans in panno defectum. 
    7 Vertit sanctus ad socium oculos, qui tantumdem panni gerebat ad dorsum: “Audis”, inquit, “frater, quid haec paupercula dicit? 
    8 Amore Dei toleremus algorem, et da pauperculae pannum, ut tunicam compleat”. 
    9 Dederat ipse, donat et socius, et uterque nudus remanet, ut vetula vestiatur.

    TEXTO TRADUZIDO

    Segunda Vida (2Cel) - 86

    Capítulo 53 - Sobre uma capa que deu a uma velhinha em Celano.

    86 
    1 Aconteceu uma vez, em Celano, no tempo do inverno, que São Francisco tinha como capa um pano dobrado que recebera por empréstimo de um homem de Tívoli, amigo dos frades. 
    2 Como estava no palácio do bispo dos marsos, foi ao seu encontro uma velhinha pedindo esmolas. 
    3 Desamarrou imediatamente o pano do pescoço e, embora não fosse seu, deu-o à pobrezinha, dizendo: “Vai fazer um vestido, que bem estás precisando”. 
    4 A velhinha sorriu espantada, não sei de medo ou de alegria, e pegou o pano das mãos dele. 
    5 Correu depressa, e, com medo de demorar muito e ter que devolver, cortou-o com a tesoura. 
    6 Mas quando viu que o pano cortado não ia dar para o vestido, a experiência do primeiro favor fez com que voltasse ao santo para mostrar que a fazenda era pouca. 
    7 O santo voltou os olhos para o companheiro, que levava nas costas o mesmo tanto de fazenda e lhe disse: “Estás ouvindo, irmão, o que diz essa pobrezinha? 
    8 Vamos suportar o frio por amor de Deus. Dá o pano para a pobrezinha acabar o vestido”. 
    9 Ele tinha dado, o companheiro também deu, e os dois ficaram despidos para que a velhinha se vestisse.