LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Secunda Vita (2Cel) - 99

    Caput LXV - Qualem se post orationem praebebat.

    99 
    1 Quando a privatis redibat orationibus, quibus pene in virum alterum mutabatur (cfr. 1Re 10,6), summopere studebat se caeteris conformare, ne ignitus apparens, aura favoris quod lucratus erat (cfr. Mat 25,16) amitteret. 
    2 Saepe etiam talia familiaribus dixit: “Quando servus Dei (cfr. 2Par 24,9) orans aliqua nova consolatione visitatur a Domino (cfr. Luc 1,68), antequam exeat ab oratione, debet ad caelum oculos sublevare (cfr. Luc 18,13; Ioa 6,5), et iunctis manibus Domino dicere: 
    3 “Istam consolationem et dulcedinem mihi peccatori (cfr. Luc 18,13) et indigno de caelo misisti (cfr. 1Pet 1,12), Domine, et ego remitto illam tibi, ut mihi reserves (cfr. Gen 27,36) eam, quoniam ego sum latro thesauri tui”. 
    4 Et iterum: “Domine, aufer a me bonum tuum in hoc saeculo et reserves mihi illud in futuro ( cfr. Eph 1,21)”.
    5 “Ita”, inquit, “debet; ut cum exit ab oratione, sic pauperculum et peccatorem aliis se ostendat, ac si nullam sit novam gratiam assecutus”. 
    6 Dicebat enim: “Levi mercede rem impretiabilem contingit amittere, et illum qui dedit ad iterum non dandum facile provocare”. 
    7 Denique sui moris erat tam furtive, tam leniter ad orationem assurgere, ut sociorum nullus vel surgentem perciperet vel orantem. 
    8 Sero tamen, cum ad lectum veniret, sonitum et quasi strepitum faciebat, ut suus ab omnibus sentiretur accubitus.

    TEXTO TRADUZIDO

    Segunda Vida (2Cel) - 99

    Capítulo 65 - Como se apresentava depois da oração.

    99 
    1 Quando voltava de suas orações particulares, em que quase se transformava num outro homem, esforçava-se muito por se assemelhar aos demais, para que a veneração dos outros, se o vissem abrasado de fervor, não o levasse a perder o que tinha lucrado. 
    2 Muitas vezes dizia a seus mais íntimos: “Quando um servo de Deus é visitado pelo Senhor na oração por alguma nova consolação, deve levantar os olhos para o céu, antes de sair da oração, e dizer ao Senhor de mãos postas: 
    3 “Senhor, a mim que sou pecador e indigno mandaste do céu esta consolação e esta doçura. Senhor, eu a devolvo, para que a guardes para mim, porque sou um ladrão de teu tesouro”. 
    4 E ainda: ‘Senhor, tira-me o teu dom neste mundo e guarda-o para o futuro’“. 
    5 “Assim é que se deve fazer”, dizia, “mostrando-se aos outros, quando sair da oração, tão pobrezinho e pecador como se não tivesse conseguido nenhuma graça nova”. 
    6 Pois explicava: “Pode acontecer que, por uma pequena vantagem, a gente perca um dom de valor incalculável, e leve com facilidade aquele que o deu, a não dar mais”. 
    7 Tinha o costume de se levantar para rezar tão disfarçada e quietamente, que nenhum dos companheiros percebia que se tinha levantado ou que estava rezando. 
    8 Mas à noite, quando ia para a cama, fazia muito ruído para todo mundo saber que tinha ido deitar.