LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Secunda Vita (2Cel) - 101

    Caput LXVII - Quomodo quidam abbas sensit virtutem orationis eius.

    101 
    1 Alio tempore contigit abbatem monasterii Sancti Iustini de episcopatu Perusii obviare sancto Francisco, qui de equo celeriter descendens, pauca de salute animae suae contulit cum eodem. 
    2 Tandem abscedens, orari pro se humiliter petiit. 
    3 Cui respondit sanctus Franciscus: “Orabo, domine, libenter”. 
    4 Parum itaque discedente abbate a sancto Francisco, dixit sanctus ad socium: “Exspecta, frater, parum, quia debitum volo solvere quod promisi”. 
    5 Mos enim iste semper ei fuit, ut orationem postulatus non post tergum proiceret (cfr. Is 38,17), sed cito huiusmodi promissum impleret (cfr. Prov 25,14). 
    6 Sancto itaque supplicante ad Deum, subito abbas ille insolitum calorem et dulcedinem hactenus inexpertam sentit in spiritu (cfr. Rom 8,5), ita quod in excessu mentis (cfr. Act 11,5) factus, totus a se deficere visus fuit. 
    7 Parvula mora substitit, et in se reversus (cfr. Luc 15,17) virtutem orationis sancti Francisci cognovit. 
    8 Maiore proinde circa Ordinem semper amore flagravit, multisque factum pro miraculo retulit. 
    9 Talia decet servos Dei in invicem conferre munuscula; talis inter eos convenit dati et accepti communio (cfr. Phip 4,15). 
    10 Sanctus amor ille, qui interdum dicitur spiritualis, fructu orationis contentus est; terrena munuscula caritas parvipendit. 
    11 Iuvare et iuvari in bello spirituali, commendare et commendari ante tribunal Christi (cfr. 2Cor 5,10) sancti amoris esse proprium credo. 
    12 Sed quousque eum censes in orationem conscendere, qui sic alium potuit suis meritis elevare?

    TEXTO TRADUZIDO

    Segunda Vida (2Cel) - 101

    Capítulo 67 - Como um abade experimentou a força de sua oração.

    101 
    1 Noutra ocasião, o abade do mosteiro de São Justino, da diocese de Perusa, encontrou-se com São Francisco no caminho. Apeou-se imediatamente e conversou um pouco com ele sobre a salvação de sua alma. 
    2 No fim, ao partir, pediu humildemente ao santo que rezasse por ele. 
    3 São Francisco respondeu: “Vou rezar de boa vontade, meu senhor”. 
    4 Pouco depois que o abade se afastou, disse o santo a seu companheiro: “Espera um pouco, meu irmão. Quero cumprir o que prometi”. 
    5 Sempre teve esse costume: quando lhe pediam para rezar nunca jogava para trás, cumpria quanto antes o que tinha prometido. 
    6 Pela súplica que o santo dirigiu a Deus, o abade sentiu em seu espírito de repente um calor diferente e uma doçura que nunca tinha experimentado, tanto que ficou arrebatado e viram que desmaiava. 
    7 Não demorou muito e, voltando a si, reconheceu a força da oração de São Francisco. 
    8 Por isso sempre teve o maior amor para com a Ordem e contou a muita gente esse fato, dizendo que tinha sido um milagre. 
    9 É assim que os servos de Deus devem prestar um ao outro os seus favores. É bom que entre eles haja essa comunhão de dar e receber. 
    10 A amizade santa, também chamada de amizade espiritual, contenta-se com a oração e dá pouco valor aos favores terrenos. 
    11 Acho que é próprio de uma amizade santa ajudar e ser ajudado na luta espiritual, recomendar e ser recomendado diante do tribunal de Cristo. 
    12 Como não deve ter subido alto a oração quem foi capaz de elevar assim uma outra pessoa por seus merecimentos!