LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Secunda Vita (2Cel) - 103

    Caput LXIX - De verbo prophetico quod ad preces cuiusdam fratris Praedicatoris exposuit.

    103 
    1 Manente ipso apud Senas, contigit illuc venire quemdam de Ordine Praedicatorum, virum quidem spiritualem (cfr. Os 9,7) et sacrae theologiae doctorem.
    2 Visitato igitur beato Francisco, ipse pariter et sanctus diu de verbis Domini (cfr. Ioa 3,34) dulcissima collatione fruuntur. 
    3 Interrogavit autem eum dictus magister de illo Ezechielis verbo: Si non annuntiaveris impio impietatem suam, animam eius de manu tua requiram (cfr. Ez 3,18). 
    4 Dixit enim: “Multos, bone pater, ipse cognosco, quos sciens esse in peccato mortali, non semper eis impietatem suam annuntio. 
    5 Numquid de manu mea talium animae requirentur (cfr. Ez 3,18)? 
    6 Cui, cum beatus Franciscus idiotam se diceret, et ideo magis docendum ab eo, quam supra Scripturae sententiam respondere, adiecit humilis ille magister: 
    7 “Frater, licet ab aliquibus sapientibus verbi huius expositionem audierim, libenter tamen super hoc tuum reciperem intellectum”. 
    8 Dixit ad eum beatus Franciscus: “Si verbum universaliter debet intelligi, taliter ego accipio, quod servus Dei (cfr. Dan 6,20) sic debet vita et sanctitate in se ardere, ut luce (cfr. Ioa 5,35) exempli et lingua conversationis (cfr. 1Tim 4,12) omnes impios reprehendat. 
    9 Sic, inquam, splendor vitae eius et odor famae ipsius omnibus annuntiabit iniquitatem (cfr. Ez 3,19) eorum”. 
    10 Plurimum itaque vir ille aedificatus abscedens, dixit sociis beati Francisci: “Fratres mei, theologia viri huius, puritate et contemplatione subnixa, est aquila volans (cfr. Iob 9,26); nostra vero scientia ventre graditur super terram (cfr. Gen 1,20.22; 3,14)”.

    TEXTO TRADUZIDO

    Segunda Vida (2Cel) - 103

    Capítulo 69 - Sobre a palavra profética que expôs a pedido de um frade pregador.

    103 
    1 Quando estava em Sena, apareceu por lá um frade da Ordem dos Pregadores, homem verdadeiramente espiritual e doutor em sagrada teologia. 
    2 Tendo visitado o bem-aventurado Francisco, ele e o santo saborearam juntos por algum tempo uma conversa muito agradável sobre as palavras do Senhor. 
    Então o mestre interrogou-o sobre aquela passagem de Ezequiel: “Se não advertires ao ímpio sobre sua impiedade, eu te pedirei contas de seu sangue” (cfr. Ez 3,18). 
    4 E esclareceu: “São muitos, bom pai, os que eu conheço e sei que estão em pecado mortal, mas nem sempre lhes mostro sua impiedade. 
    5 Será que Deus vai me pedir contas de suas almas?” 
    6 São Francisco respondeu que era um ignorante e que por isso estava mais na situação de aprender com ele do que na de dar sentenças sobre as Escrituras, mas o humilde mestre lhe disse: 
    7 “Irmão, já ouvi a exposição de alguns sábios sobre esse texto, mas gostaria de saber qual é o teu pensamento”. 
    8 Falou, então, São Francisco: “Se é em geral que devemos entender essa palavra, eu acho que o servo de Deus deve arder tanto na vida e na santidade, que repreenda todos os maus com a luz de seu exemplo e com a voz de seu comportamento. 
    9 Assim, direi, o esplendor da vida e o bom perfume da fama é que a todos vão anunciar sua iniquidade”. 
    10 Aquele varão saiu muito edificado, e disse aos companheiros do bem-aventurado Francisco: “Meus irmãos, a teologia desse homem, firmada na pureza e na contemplação, é uma águia a voar; nossa ciência arrasta-se pela terra”.