LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Secunda Vita (2Cel) - 111

    Caput LXXVII - De porca malefica quae manducavit agnum.

    111 
    1 Ad bruta quoque verbum suum mirandae fuisse virtutis alibi satis elucet. 
    2 Tangam tamen unum quod ad manum est. 
    3 Hospitato quadam nocte servo Excelsi (cfr. Act 16,17) apud monasterium Sancti Verecundi de episcopatu Eugubii, ovicula quaedam agniculum peperit in illa nocte. 
    4 Aderat sus crudelissima, quae vitae innocentis non parcens, rapaci eum morsu necavit. 
    5 Surgentes homines mane (cfr. Mar 16,9) inveniunt agniculum mortuum, cognoscentes vere (cfr. Ioa 17,8) suem illius maleficii ream. 
    6 Hoc audito, mira compassione pius pater movetur, et Agni cuiusdam alterius recordatus, mortuum lamentatur agniculum, coram omnibus dicens (cfr. Gal 2,14): “Heu, frater agnicule, animal innocens, utile semper hominibus repraesentans! 
    7 Maledicta sit (cfr. Iob 24,18) impia quae te interfecit, nullusque ex ea comedat (cfr. Gen 3,17) homo vel bestia!”. 
    8 Mirabile dictu! Statim infirmari coepit porca malefica, et tribus diebus poenarum tormenta persolvens, ultricem tandem pertulit necem. 
    9 Proiecta est autem in vallo monasterii, ubi longo tempore iacens, in modum tabulae desiccata, nulli fuit esca famelico.

    TEXTO TRADUZIDO

    Segunda Vida (2Cel) - 111

    Capítulo 77 - Sobre a porca malvada que comeu um cordeirinho.

    111 
    1 Já demonstramos, em outros lugares, como sua palavra teve maravilhosa eficácia também com os animais. 
    2 Mas vou contar um caso que tenho à mão. 
    3 Numa noite em que o servo do Excelso se hospedou no mosteiro de São Verecundo, da diocese de Gúbio, uma ovelha deu à luz um cordeirinho. 
    4 Mas havia ali uma porca muito brava, que não poupou a vida do inocente e o matou com uma cruel mordida. 
    5 Quando os homens se levantaram pela manhã, viram o cordeirinho morto e tiveram certeza de que a culpada dessa malvadeza era a porca. 
    6 Quando soube disso, o piedoso pai ficou muito comovido, lembrando-se de um outro Cordeiro, e chorou o cordeirinho morto, dizendo diante de todos: “Ó irmão cordeirinho, animal inocente, que sempre nos recordas uma coisa importante para os homens! 
    7 Amaldiçoada seja a cruel que te matou, e que nem homem nem animal comam nada dela!” 
    8 Incrível! A porca malvada começou logo a ficar doente, passou três dias de tormento e acabou morrendo por castigo. 
    9 Foi jogada no monturo do mosteiro, onde ficou por muito tempo, seca como uma tábua, sem servir de alimento para nenhum esfomeado.