LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

  • Fontes Franciscanas
  • Fontes Biográficas
  • Tomás de Celano
  • Segunda Vida (2Cel)

TEXTO ORIGINAL

Secunda Vita (2Cel) - 114

Caput LXXX - Exemplum sancti contra nimiam familiaritatem.

114 
1 Contigit semel cum sanctus Franciscus Mevanium pergeret, prae debilitate ieiunii ad castrum pervenire non posse. 
2 Socius vero, misso nuncio ad quamdam spiritualem dominam, panem et vinum pro sancto humiliter petiit. 
3 Illa, ut audivit, cum filia virgine Deo devota, cucurrit ad sanctum, portans quae necessaria erant. 
4 Refectus autem sanctus et aliquantulum confortatus, verbo Dei (cfr. Luc 4,4) matrem et filiam versa vice (cfr. Est 9,1) refecit. 
5 Cumque predicasset eisdem, nullam respexit in faciem (cfr. Ps 83,10). 
6 Recedentibus illis, dixit socius ad eum: “Cur, frater, non respexisti sanctam virginem, quae cum tanta devotione venit ad te?”. 
7 Cui pater: “Quis non deberet timere respicere sponsam Christi? 
8 Quod si oculis praedicatur et facie, ipsa me viderit, non ego illam”. 
9 Multoties vero de huiusmodi loquens, asserebat frivolum esse omne colloquium mulieris, excepta sola confessione, vel ut assolet monitione brevissima. 
10 Dicebat enim: “Quae sunt fratri Minori cum muliere tractanda negotia, nisi cum sanctam paenitentiam vel melioris vitae consilium religiosa petitione deposcit?”.

TEXTO TRADUZIDO

Segunda Vida (2Cel) - 114

Capítulo 80 - Exemplo do santo contra a familiaridade exagerada.

114 
1 Numa ocasião em que São Francisco ia a Bevagna, não conseguiu chegar à cidade porque estava muito fraco de tanto jejuar. 
2 O companheiro mandou um recado para uma senhora piedosa, pedindo humildemente pão e vinho para o santo. 
3 Quando ela ouviu, foi correndo ao encontro do santo, acompanhada por uma filha, virgem consagrada a Deus, e levou o que era preciso. 
4 Depois que o santo se refez e se sentiu um pouco mais forte, alimentou com a palavra de Deus por sua vez mãe e filha. 
5 E durante a pregação não olhou para o rosto de nenhuma das duas. 
6 Quando elas foram embora, o companheiro disse: “Irmão, por que não olhaste para essa moça santa, que veio a ti com tanta devoção?” 
7 E o pai respondeu: “Quem não deve temer olhar para uma esposa de Cristo? 
8 E se pregamos com os olhos e com o rosto, ela é que tinha que olhar para mim e não eu para ela”. 
9 Muitas vezes, tratando desse assunto, dizia que toda conversa de mulheres era frívola, a não ser no confessionário, ou, se fosse o caso, dando conselhos muito breves. 
10 Dizia: “Que tem um frade menor a tratar com uma mulher, a não ser quando pede religiosamente uma santa penitência ou uma orientação para viver melhor?”