LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Secunda Vita (2Cel) - 120

    120 
    1 Totam ergo noctem insomnem ducentibus, dixit sanctus Franciscus ad socium suum: “Daemones sunt castaldi Domini nostri, quos destinat ipse ad puniendos excessus. 
    2 Signum autem amplioris est gratiae, nihil in servo suo impune relinquere, dum vivit in mundo. 
    3 Ego vero offensam non recolo, quam per misericordiam Dei (cfr. Rom 12,1) satisfactione non laverim; 
    4 sua quippe paterna dignatione semper sic mecum egit, ut placentia et displicentia sibi oranti et meditanti ostenderet. 
    5 Sed potest esse quod ideo castaldos suos in me permisit irrumpere, quia non bonam speciem aliis praefert mansio mea in curia magnatorum. 
    6 Fratres mei, qui in locis pauperculis commorantur, audientes me cum cardinalibus esse, suspicabantur forsitan abundare deliciis (cfr. Luc 7,25). 
    7 Ideo, frater, melius iudico eum qui ponitur in exemplum (cfr. Iob 17,6), fugere curias, et penurias sustinentes (cfr. Prov 28,27) fortes efficere similia sustinendo”. 
    8 Veniunt ergo mane (cfr. Mar 16,2), et recitatis omnibus, valefaciunt cardinali. 
    9 Noverint haec palatini, et sciant abortivos se esse, tractos ex utero matris suae (cfr. Luc 1,15). 
    10 Non obedientiam damno, sed ambitionem, sed otium, sed delicias reprehendo; 
    11 denique et obedientiis cunctis Franciscum omnino propono. 
    12 Sustineatur tamen quidquid displicet Deo, quoniam placet hominibus (cfr. Qo 5,3; Ps 52,3).

    TEXTO TRADUZIDO

    Segunda Vida (2Cel) - 120

    120 
    1 Passaram a noite inteira sem dormir, e São Francisco disse ao companheiro: “Os demônios são os carrascos de nosso Senhor, a quem ele incumbe de punir os excessos. 
    2 Mas é um sinal a mais da graça de Deus não deixar impune um servo seu enquanto está vivendo neste mundo”. 
    3 “Para dizer a verdade, eu não me lembro de nenhuma ofensa que, pela misericórdia de Deus, já não tenha lavado pela penitência, 
    4 porque a sua bondade paterna sempre me tratou assim, mostrando-me na oração e na meditação o que lhe agradava e o que lhe desagradava. 
    5 Mas pode ser que tenha permitido a seus carrascos que me atacassem porque não fica bem diante dos outros essa minha permanência na corte dos grandes”. 
    6 Os meus irmãos, que moram em lugares pobrezinhos, quando ouvirem dizer que estou com cardeais, na certa vão pensar que estou nadando em delícias. 
    7 Por isso, irmão, acho melhor que aquele que é posto como exemplo fuja das cortes e também acho que os que padecem privações se fortalecem suportando essas coisas”. 
    8 Vieram de manhã e, tendo contado tudo, despediram-se do cardeal. 
    9 É bom que os frades palacianos conheçam esse fato e saibam que são abortivos desde o seio de sua mãe. 
    10 Não condeno a obediência mas repreendo a ambição, o ócio, os prazeres;

    11 afinal, proponho absolutamente Francisco para todas as obediências. 
    12 Suspenda-se todavia tudo que desagrada a Deus porque agrada aos homens.