LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Secunda Vita (2Cel) - 123

    123 
    1 Mane facto (cfr. Ioa 21,4), revertitur ad eum socius, et inveniens sanctum coram altari (cfr. 3Re 8,31) prostratum, exspectat extra chorum, oratque interim ipse coram cruce ferventer. 
    2 Et, ecce, factus in ecstasi, videt inter multas in caelo sedes (cfr. Apoc 4,1-4) unam caeteris digniorem, ornatam pretiosis lapidibus (cfr. Est 15,9), omnique gloria praefulgentem. 
    3 Miratur intra se nobilem thronum, et cuius sit, tacitus pensat (cfr. Dan 4,16). 
    4 Audit inter haec vocem dicentem sibi (cfr. Act 9,4): “Sedes ista unius de ruentibus fuit, et nunc humili Francisco servatur”. 
    5 Demum ad se reversus (cfr. Act 12,11) frater videt beatum Franciscum ab oratione exire, moxque, in modum crucis prostratus, ipsum non ut mundo viventem, sed quasi iam caelo regnantem alloquitur dicens: “Deprecare pro me Filium Dei, pater, ut mihi peccata non imputet (cfr. Ps 31,2)!”. 
    6 Extendens manum vir Dei (cfr. Mat 14,31; 3Re 13,4) allevat ipsum (cfr. Act 3,7), cognoscens aliquid ei fuisse in oratione monstratum. 
    7 Tandem recedentibus inde, interrogat frater ille beatum Franciscum dicens (cfr. Mat 21,41.42): “Quid de te, pater, tua tibi ministrat opinio?”. 
    8 Qui respondit: “Videor mihi maximus peccatorum, quoniam si aliquem sceleratum tanta fuisset Deus misericordia prosecutus, decuplo me spiritualior esset”.
    9 Ad haec statim in corde fratris dixit Spiritus: “Cognosce, quod vera fuit visio (cfr. Dan 8,26) quam vidisti, quoniam ad sedem superbia perditam humilitas levabit humillimum”.

    TEXTO TRADUZIDO

    Segunda Vida (2Cel) - 123

    123 
    1 Quando amanheceu, o companheiro voltou e, encontrando o santo prostrado diante do altar, ficou esperando fora do coro e aproveitou o tempo para rezar ele mesmo fervorosamente diante da cruz. 
    2 Eis que entrou em êxtase e viu, entre muitos outros tronos no céu, um mais digno que os outros, ornado de pedras preciosas e refulgente de toda glória. 
    3 Admirou-se com o nobre trono dentro de si e ficou pensando calado a quem pertenceria. 
    4 Então ouviu uma voz que lhe dizia: “Este trono pertenceu a um dos que caíram, e agora está reservado para o humilde Francisco”. 
    5 Enfim, quando voltou a si, o frade viu o bem-aventurado Francisco sair da oração e, pouco depois, prostrado com os braços em forma de cruz, falou com ele como se dirigisse a alguém que reinava no céu e não que vivia na terra: “Pai, pede por mim ao Filho de Deus, para que não me impute os pecados!” 
    6 Estendendo a mão o homem de Deus o levantou, sabendo que algo lhe fora mostrado na oração. 
    7 Depois, quando iam indo embora, o frade perguntou a São Francisco dizendo: “Pai, qual é a tua opinião a respeito de ti mesmo?” 
    8 Ele respondeu: “Acho que sou o maior dos pecadores porque, se Deus tivesse demonstrado a algum criminoso toda a misericórdia que teve comigo, ele seria dez vezes mais espiritual que eu”. 
    9 Então o Espírito disse imediatamente no coração do frade: “Fica certo de que tiveste uma visão verdadeira, porque a humildade vai levar o humilde para o trono que foi perdido pela soberba”.