LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Secunda Vita (2Cel) - 124

    Caput LXXXVII - De quodam fratre a tentatione liberato.

    124 
    1 Frater quidam spiritualis et antiquus in religione, magna carnis tribulatione (cfr. 1Cor 7,28) afflictus, quasi desperationis profundo videbatur absorptus (cfr. Ps 68,16). 
    2 Duplicabatur ei quotidie dolor, dum conscientia magis tenera quam discreta cogebat eum de nihilo confiteri. 
    3 Siquidem non tentationem habere, sed tentationi cessisse vel modicum, tanto studio confitendum esset. 
    4 Ipse vero tantum pudoris habebat, quod timens totum uni sacerdoti detegere, quippe cum nihil esset, cogitationes ipsas dividens, diversas diversis particulas committebat. 
    5 Quadam vero die, cum deambularet cum beato Francisco, dixit ei sanctus: “Frater, dico tibi quod tribulationem tuam nulli debeas de caetero confiteri. 
    6 Et noli timere (cfr. Gen 15,1; Mat 1,20), quia quod circa te fit, nec tu facis, ad coronam tibi proveniet non ad culpam!. 
    7 Quoties autem fueris tribulatus (cfr. Ps 106,6), septem Pater noster de mea licentia dicas!”. 
    8 Miratus unde hoc sanctus novisset, plurimoque exhilaratus gaudio (cfr. Prov 15,3), post modicum omnem tribulationem evasit.

    TEXTO TRADUZIDO

    Segunda Vida (2Cel) - 124

    Capítulo 87 - Sobre um irmão libertado de uma tentação.

    124 
    1 Um frade espiritual e antigo na Ordem, atormentado por grande tribulação da carne, parecia ter sido arrebatado à profundidade do desespero. 
    2 Seu sofrimento dobrava cada dia, porque tinha uma consciência mais escrupulosa que discreta, que o forçava a confessar ninharias. 
    3 Deveríamos confessar-nos diligentemente quando caímos nas tentações ainda que por pouco, não só porque as tivemos. 
    4 Além disso, o frade se sentia tão envergonhado, apesar de não ter feito nada, que, com medo de contar tudo a uma só sacerdote, dividia as suas preocupações e as contava por pequenas partes, a diversos sacerdotes. 
    5 Num dia em que estava andando com o bem-aventurado Francisco, o santo lhe disse: “Irmão, eu te digo que não deves mais confessar teu problema a ninguém. 
    6 E não tenhas medo, porque o que acontece contigo e não fazes vai te valer para a coroa e não para a culpa! 
    7 Todas as vezes, porém, que te sentires atribulado, rezarás sete pai-nossos, por minha conta”. 
    8 Muito admirado de como o santo tivera conhecimento disso, o frade ficou jubiloso de gozo e, pouco depois, já estava livre de todo o problema.